Sobrevivente de acidente chega a Curitiba
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domingo, 28 de agosto de 2005
Adriana De Cunto<br> Equipe da Folha 
Curitiba Chegou ontem ao Brasil o jovem paranaense que sobreviveu ao acidente de avião no Peru, na última terça-feira. Wagner Roberto Adolfato Souza, 25 anos, desembarcou no Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) por volta das 10h30. Depois de encontrar a família em um setor reservado do aeroporto, ele veio de ambulância direto para o Hospital Evangélico (HE), de Curitiba, referência em atendimento a vítimas de queimadura.
O rapaz deu entrada no pronto-socorro do HE por volta das 12h30. Ele acenou de longe para os repórteres que o aguardavam e disse que estava bem e que conversaria depois com a imprensa. Mas a direção do HE não permitiu que os jornalistas entrevistassem o paciente depois, quando ele já estava no quarto. Como havia muita gente, os médicos ficaram com medo de contaminação.
Wagner deixou o Peru por volta das 23 horas de sábado e antes de chegar a Curitiba fez uma escala no aeroporto de Guarulhos (SP). Ele viajou acompanhado do médico peruano Walter Navarro, especialista em cirurgia plástica, e de Vidal Signorelli, funcionário da empresa onde o rapaz trabalha.
O avião em que o brasileiro viajava, da companhia peruana Tans, tinha saído de Lima (capital do Peru) com destino a Pucallpa. A 4,8 quilômetros do aeroporto de Pucallpa o avião caiu ao tentar fazer um pouso de emergência. Chovia muito forte. Quarenta pessoas morreram no acidente. Wagner viajava a serviço. Ele iria realizar treinamentos para clientes da empresa em que trabalha, a Marrari Automação Industrial, que atende madeireiras daquela região. Segundo Paulo Martini, um dos sócios da Marrari, Wagner já realizou treinamentos no Chile e no início do mês esteve no Uruguai.
No acidente, Wagner sofreu queimaduras de primeiro e segundo graus nos braços, mãos e rosto. O médico Walter Navarro contou que o paranaense teve 14% do corpo queimado. No Hospital Loyaza, em Pucallpa, os médicos aplicaram nos braços e mãos do paciente bandagens com pele de porco. A técnica é usada para ajudar a regenerar a pele queimada e evitar infecções. Segundo Navarro, não houve necessidade de cirurgia e a pele de porco vai sendo eliminada pelo próprio organismo.
Navarro tem bastante experiência no atendimento a queimados. Em 2001, ele foi um dos médicos que socorreu as vítimas de um mercado que vendia fogos de artifício em Lima e que explodiu deixando 300 mortos. O cirurgião foi contratado pela Marrari para acompanhar Wagner. Segundo Martini, a seguradora da Tans pagou as despesas no Peru e o plano de saúde de Wagner vai arcar com o tratamento no Brasil.
Hoje, pela manhã, a equipe médica chefiada pelo cirurgião Sérgio Lopes vai sedar o paciente, tirar as ataduras e fazer uma avaliação mais apurada para saber se mantém as bandagens de pele de porco ou se vai adotar outro procedimento. O médico residente João Fernando Vieira, que prestou os primeiros atendimentos, ontem, no HE, disse que a equipe só poderá dizer se o paciente ficará com sequelas ou cicatriz após o exame de hoje.


