Descoberta por médicos e cientistas no século passado, ainda hoje a esclerose lateral amiotrófica mantém uma série de dúvidas importantes. Não se sabe com precisão, por exemplo, a sua origem e agentes causadores. As hipóteses propostas por pesquisadores vão na direção de que ela pode ser causada por vírus – contraído durante alguma infecção –, por intoxicação por alumínio, pela deficiência de cálcio e magnésio, ou por herança genética.
A médica e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mônica Marcos de Souza, explica que o que se sabe concretamente sobre esta rara doença é que ela ataca a medula, parte do tronco cerebral, destrói os neurônios motores, atrofia os músculos, e acarreta sérias dificuldades na articulação da fala e no ato de engolir alimentos.
Mestre em neurologia clínica, a professora faz parte de um grupo de estudos e atendimento a pacientes portadores da doença no Hospital de Clínicas (HC) da UEL. É lá que Fabrício Bianchi está sendo tratado e analisado, como voluntário, desde o final do ano passado. ‘‘Além de ser rara e de guardar muitas dúvidas, este tipo de esclerose não tem cura. A sobrevida do portador, depois de feito o diagnóstico é de, no máximo, três anos’’, ressalta Mônica Marcos de Souza.
De acordo com ela, muitas vezes a doença está associada à demência, causa rápida perda de peso, fraqueza e tremores nos músculos, e não é transmissível pelo contato físico. ‘‘Normalmente ela acomete pessoas em torno dos 40 anos de idade, e é mais comum entre os homens. O paciente não precisa ser isolado; pelo contrário, ele necessita muito de carinho e do suporte familiar.’’
A médica do HC comenta que os remédios são prescritos na tentativa de alongar a sobrevida dos portadores, que na maioria terminam acometidos por infecções e principalmente pneumonias. ‘‘O Riluzole, que ainda encontra-se em fase de avaliação científica, tem se mostrado inovador e obtido alguns resultados importantes no sentido de proteger os neurônios ainda não atingidos pela doença. Mas, infelizmente, ainda estamos muito longe de uma cura definitiva.’’ (O.C.)

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