Prolongar a vida útil do aterro sanitário de Londrina, o ‘‘lixão’’, é possível tecnicamente, mas implica em investimento financeiro alto e em riscos ambientais. A opinião é do professor de Saneamento e Meio Ambiente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Fernando Fernandes. Em estudo realizado em 1993, o professor e sua equipe já anunciaram o esgotamento do aterro para 1998. O secretário de Serviços Públicos de Arapongas, Mauro Rodrigues Mello, afirmou em matéria publicada ontem pela Folha que o aterro pode ter mais seis anos de sobrevida.
Fernandes fala que ‘‘através de artifícios técnicos é possível esticar a vida útil do aterro, mas não é ambientalmente correto’’. A escassez de jazidas de terra e moledo na região do ‘‘lixão’’ obrigará a prefeitura a buscar estes materiais em locais distantes. Com isto a permanência do aterro na área atual, perto do Aeroporto, custará muito caro para o Município.
Ambientalmente, de acordo com Fernandes, o risco também é grande já que não há no local nenhum dispositivo de proteção ambiental, como impermeabilização do subsolo. Na sua opinião, quanto tempo mais o ‘‘lixão’’ permanecer onde está, maior o risco de danos ambientais.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, também afirma que não é possível prorrogar por mais seis anos a vida útil do aterro. Ele utiliza os mesmos argumentos que o professor Fernandes e diz que em um ano e meio não haverá mais jazidas de terra e moledo disponíveis na região. A contaminação do Córrego do Piriquito é outra preocupação de Sella.
Embora o secretário de Arapongas, Mauro Mello, tenha afirmado que o ‘‘lixão’’ pode comportar mais oito de metros de altura de lixo compactado, Sella argumenta que o aterro já está próximo do manancial e quanto mais lixo for depositado, maior o risco de contaminação. O presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Luiz Eduardo Cheida, também concorda que a sobrevida do aterro, através de estudo, já foi anunciada há mais de sete anos.
O estudo realizado pela equipe do professor Fernandes, em 1993, previu algumas readequações emergenciais na época. Segundo ele, apenas 30% a 40% das medidas foram implantadas. Entre elas, dreno de água pluvial e de gases e plantação de grama em parte da área.
A criação de um sistema de tratamento de chorume e a impermeabilização da área que foi ocupada posteriormente não foram feitas. O tratamento do chorume está entre as medidas imediatas a serem tomadas pela CMTU.

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