Amor à primeira vista. Esta é a história de Severiana e Mariana, que descobriram-se mãe e filha em sentimento, mesmo sem os laços de sangue. A professora aposentada Severiana Cândida Cunha Fernandes já era mãe de três quando conheceu Mariana da Silva, que tinha apenas cinco anos de idade.
Abandonada pela mãe, pai desconhecido, Mariana vivia na Casa do Caminho, em Londrina, desde o primeiro ano de vida. Foi numa visita ao lar, como voluntária, que a filha mais nova da professora encontrou a futura irmã. ''Minha filha estava de olho num menino deitado num berço quando a Mariana pulou no colo dela. Foi instantâneo, era para ser'', descreve Severiana.
Depois de muito insistir, a filha convenceu a professora a adotar a menina, que já chamava Severiana de mãe antes mesmo de se mudar para a casa nova. ''Todo fim de semana minha filha tinha que trazer uma criança para casa e um dia ela trouxe a Mariana. Só que quando a menina voltou para o lar, ela não comia mais, ficou doente e pedia pela mãe, que para ela era eu. Eu não queria, mas já havia me apegado e então resolvi trazê-la.''
Com poucas informações sobre a menina - Severiana sabia apenas que a mãe também havia abandonado outros cinco filhos na Casa do Caminho - a professora vasculhou os cartórios da cidade para providenciar os documentos da guarda.
Um ano depois de ter levado Mariana para casa, a professora conseguiu a guarda provisória da menina. Logo em seguida, veio a guarda definitiva. ''Tudo estava bem até ela entrar na escola, aos sete anos. Eu percebi que ela não ficava na sala de aula, pedia sempre para ir ao banheiro. Desconfiei de algo errado e descobri que ela tinha um problema mental.''
Foi quando começou a luta da professora em busca de uma escola especial para a menina. ''Procurei até a promotora, porque não conseguia vaga e já estava ficando doente, sem saber como iria cuidar dela. Aí surgiu uma vaga no Ilece'', recorda Severiana.
Prestes a completar 18 anos, Mariana cresceu e se desenvolveu graças ao carinho e a atenção da família de Severiana, mas ela ainda é bastante dependente da mãe. ''Ela tem corpo de moça, mas é um bebê. A doença dela a faz vomitar sempre que fica muito nervosa e ela sofre de fortes dores de cabeça. Está sempre atrás de mim para tudo'', diz a professora.
Orientada pelos médicos, ela deu entrada no processo de adoção, há três anos. ''Como os exames que ela precisa fazer são muito caros, o médico pediu que eu a colocasse como beneficiária do meu plano de saúde, mas como ela não tem meu sobrenome, o convênio não a aceita.''
Sem condições de bancar os exames e as consultas, a professora cortou as visitas ao neurologista e ao ginecologista. E continua à espera de uma decisão favorável do juiz da Vara da Infância e Juventude de Londrina.
''No dia em que a assistente social veio fazer a avaliação, a Mariana estava na escola, mas ela não voltou mais. Já entreguei declaração de renda, cartas dos médicos diagnosticando microcefalia e confusão mental, cartas do Ilece, de testemunhas. A ouvidoria do Sistema de Assistência à Saúde ouviu a vizinhança para saber como é que eu trato da menina, avaliou as condições em que ela vive aqui em casa, e até concordou que ela precisa do plano de saúde para se tratar'', completa Severiana.
Segundo ela, os médicos pediram urgência no processo de adoção para que os exames sejam feitos o mais rápido possível. ''Já tentei falar com o juiz três vezes, mas ele disse que não atende a parte interessada. Também procurei a promotora duas vezes e ela disse que me retornaria, mas não retornou.'' Enquanto espera, Severiana contacta o advogado diariamente.

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