Sobras do SUS ampliam Santa Casa
Sid Sauer
A Santa Casa de Misericórdia Maria Antonieta, de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão), vai inaugurar no final do mês que vem duas novas alas, com 710 metros quadrados, e 25 leitos para pediatria. A obra, já com equipamentos, está orçada em R$ 280 mil e foi toda feita com sobras dos repasses do Sistema Único de Saúde (SUS). O dinheiro é suficiente se houver honestidade e boa administração, diz o provedor da entidade, padre Pedro Speri.
A inauguração das duas novas alas não é a primeira obra feita pela Santa Casa com dinheiro que sobrou do SUS. Segundo o padre, dos atuais 4,2 mil metros quadrados do hospital, 3 mil metros foram feitos com sobras. Além disso, está em fase de projeto uma nova ala para a instalação de uma unidade de terapia intensiva (UTI). Mais: o dinheiro do 13º salário já está depositado e há recursos garantidos para pagar as duas próximas folhas de pagamento.
O governo pode atrasar os repasses por até dois meses que não corremos nenhum risco, diz o administrador do hospital, José Carlos dos Santos, que trabalha com o padre na Santa Casa há 9 anos. Os dois estiveram no mês passado participando de um congresso de santas casas de todo o País, em Brasília. Enquanto todo mundo estava chorando, nós estávamos dando risadas, conta o padre. Mas não se trata de milagre. É honestidade.
A Santa Casa de Goioerê tem 47 funcionários , incluindo 12 médicos, e recebe mensalmente cerca de R$ 45 mil. É desse dinheiro que são pagas todas as despesas e que sobram os recursos para as ampliações e melhorias. Quatro apartamentos reservados para internações particulares também ajudam, mas representam pouco. Cerca de 98% dos nossos pacientes são atendidos gratuitamente, diz Santos. Nós não temos o que reclamar do SUS.
Graças à boa situação do hospital, a entidade recusou o empréstimo oferecido pelo Ministério da Saúde, para que as santas casas paguem suas dívidas e invistam na administração. Não vamos pegar esse dinheiro porque não precisamos, explica Speri. Segundo ele, um dos problemas das santas casas é a adoção de uma forma de administração vitalícia. Os hospitais não foram se reestruturando e entraram em dificuldades, avalia.
Com a inauguração das novas alas, a Santa Casa vai emprestar uma delas para que a prefeitura instale o pronto-socorro municipal. O empréstimo será por um ano. É um prazo que estávamos dando para que o município faça a obra, diz o padre. O terreno para o novo pronto-socorro foi doado pela Santa Casa. Aqui é o inverso, é a Santa Casa que ajuda a prefeitura. Ele admite, porém, que o município doou pedra e areia na construção das duas novas alas.Pedro Speri, padre e provedor, diz que dinheiro do governo é suficiente se houver honestidade e boa administração
Marcos NegriniRitmo aceleradoObras de ampliação da Santa Casa de Goioerê estão em fase de conclusão; novas alas serão inauguradas no fim do próximo mês





