Sobras de construção podem virar casas
Israel Reinstein

Marcelo AlmeidaMensalmente, canteiros de obras de Curitiba jogam 15 mil toneladas de sobras de construções nos aterros da cidade. Projeto que tramita na Câmara Municipal prevê instalação de uma usina de reciclagem desse material, para produção de lajotas e blocos de concreto para construir casas popularesMensalmente, os canteiros de obras de Curitiba jogam 15 mil toneladas de sobras das construções nos aterros da cidade. A maioria desses dejetos são restos de cimento, que foram mal aproveitados nas obras. Por causa do grande desperdício, existe um projeto na Câmara Municipal para instalação de uma usina de reciclagem de entulhos da construção. ‘‘A intenção é aproveitar as sobras para produzir blocos de concretos e lajotas, para a construção de casas populares’’, explica o vereador Tadeu Veneri, coordenador do grupo de estudos do reaproveitamento do material da construção civil.
Segundo o vereador, as previsões dos projetos estabelecem a produção de 500 toneladas de cimento diário, a partir dos entulhos. ‘‘Essa quantia seria suficiente para a produção de 15 mil blocos de cimento, suficientes para a construção de dez casas de 40 metros quadrados’’, conta. Para construir a usina, deverão ser gastos R$ 300 mil. ‘‘É um valor baixo na relação custo-benefício’’, avalia.
Veneri informa que os dois projetos foram elaborados por grupos interessados na exploração desse segmento. As propostas serão entregues à prefeitura, que definirá a melhor alternativa.
A usina será instalada na Cidade Industrial, no antigo lixão hospitar, na região Sul. ‘‘O local é adequado, pois não vai sofrer com o impacto ambiental que gerado pela usina’’, diz o arquiteto e proprietário da construtora Nave, Marcelo Vilas Boas. A usina deve provocar poluição sonora, no processo de moagem dos entulhos, e do ar, por causa da poeira gerada pela moagem. Mesmo com essa situação, Vilas Boas afirma que a usina é uma solução ecológica, porque evita o acúmulo de dejetos nos aterros da cidade. Pelo projeto do empresário, a Nave se proporia a construir a usina, vendendo sua produção à Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab-Ct).
A outra proposta, apresentada por um grupo de entidades - entre elas, o Sindicato dos Engenheiros do Paraná e a Central de Movimentos Populares -, propõe a construção da usina em parceira com a prefeitura. Esse projeto prevê que a produção da usina seja destinada às famílias de baixa renda. Para construir a usina, essas entidades obteriam recursos junto à Caixa Econômica Federal e bancos de fomento. ‘‘Seja qual for a proposta aprovada, a prefeitura começar a construção da usina este ano, porque já foi aprovado pela Câmara recursos no orçamento de 1998’’, diz.

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