A cartela de medicamento esquecida no fundo do armário pode salvar vidas se for doada a quem precisa. Em Londrina, principalmente instituições religiosas fazem a coleta de sobras e redistribuem a pacientes sem condições de arcar com os custos.
  A Paróquia Coração de Maria (Região Central) distribui remédios de graça há quase duas décadas e hoje atende mais de 230 pessoas por mês. A coordenadora do Centro Social, Rosângela Pissolati Faria, revela que cerca de 30% das doações recebidas são de pessoas da comunidade. ‘‘É um ato de ajudar o próximo. Nem que seja uma caixinha, um vidrinho, é importante doar porque, de pouco em pouco, conseguimos ajudar mais pessoas’’, valoriza.
  Com mais de meio século de atuação profissional, Jorge Chiromatzo é quem toca há mais de dez anos a farmácia da Paróquia Sagrado Coração (Região Central), onde consegue atender, em média, 60 pessoas por dia. Ele agradece o apoio que recebe dos médicos, laboratórios e da comunidade e diz que muitas outras pessoas poderiam ser beneficiadas
se todos tivessem o hábito de doar. ‘‘Esta carência por medicamento sempre existiu e quem tiver sobra em casa
pode trazer’’, pede.
  A saúde é de ferro, mas o aposentado Durvalino Moreira sempre vai à farmácia da igreja em busca de tratamento para a mulher e amigos do bairro. ‘‘Não me lembro de ter voltado para casa sem remédio’’, agradece. Informada pela cunhada, Maria Neusa de Lima Lopes conseguiu remédio para o marido transplantado e cardíaco:
‘‘Se for comprar a gente fica
sem comer’’.
  Como toda mãe e avó zeloza, a aposentada Nilza de Castro Marconi mantém uma ‘‘farmacinha’’ em casa. E sempre que não usa mais determinado medicamento, faz a doações para uma igreja. ‘‘Se está na validade, procuro doar para não perder e ainda ajudar outras pessoas’’, ensina. Já com relação ao descarte dos produtos vencidos, ela faz o que quase todo mundo faz: joga os restos no vaso sanitário. Mas depois de ser informada que os postos de saúde podem recolher, afirmou que irá mudar o hábito daqui pra frente. (L.A.)

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