Sobram vagas para exames de mamografia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de outubro de 2013
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina - Pelo menos uma vez por ano, a dona de casa Roseli da Cruz, de 42 anos, vai até a unidade básica de saúde para solicitar os exames que podem identificar os primeiros sinais de câncer do colo do útero e de câncer de mama. Os cuidados começaram há alguns anos após um inchaço na mama, mas nada foi constatado. "Se a gente não se cuida, quem vai cuidar?", resumiu Roseli. Segundo ela, o preventivo costuma ser agendado na UBS para até uma semana após a solicitação.
Mulheres acima dos 40 anos podem solicitar a mamografia de forma gratuita na rede municipal de saúde. No primeiro semestre deste ano, foram ofertadas 24.028 vagas por meio da parceria com hospitais e clínicas particulares. Desse total, apenas 15.173 mamografias foram realizadas, sendo que 10.605 exames foram feitos em pacientes com idade entre 50 e 69 anos.
A diretora de Atenção Primária da Secretaria Municipal de Saúde, Tatiane Almeida do Carmo, contou que hoje há, em média, uma espera de até um mês para o agendamento da mamografia. Na zona rural, a demora pode ultrapassar os 30 dias. "Isso varia de unidade para unidade, mas, mesmo com a baixa procura, o município atinge a meta que é atender pelo menos 40% das mulheres entre 50 e 69 anos, que é a faixa etária de maior risco", destacou. Neste mês, o município pretende aumentar o número de horários disponíveis para a realização dos exames.
Mulheres com idade entre 35 e 40 anos também podem ter acesso às requisições pela UBS se apresentarem algum fator de risco como casos de câncer na família ou sintomas da doença. Para a faixa etária abaixo dos 35 anos, a solicitação pode ser feita por pacientes que constatarem algum tipo de nódulo no autoexame feito com as mãos ao redor da mama. "A ultrassonografia da mama, geralmente, é indicada para as pacientes mais novas, já a mamografia costuma ser recomendada para pacientes com idade acima dos 35 anos", afirmou Tatiane.
Silenciosa
A prevenção pode ajudar a descobrir outros tipos de doenças. Foi em um exame ginecológico de rotina que a protética Fátima Freitas, de 43, descobriu o câncer de tireoide. Ela costumava ir ao médico com frequência para fazer o preventivo. A doença chegou de forma silenciosa. O ginecologista percebeu características diferentes na paciente, como um inchaço ao redor do pescoço, e solicitou alguns exames. Ela foi orientada a procurar um especialista. "A notícia chocou minha família. O tumor era maligno e tinha o tamanho de uma bola de pingue-pongue. A preocupação era que virasse uma metástase", contou Fátima.
O tratamento começou em 2011. A protética passou por duas cirurgias, enfrentou sessões de radioterapia e sofreu com a queda de cabelo. "Minhas filhas eram pequenas na época, com 5 e 6 anos. Me afastei delas por cerca de 20 dias por conta da radioterapia. Precisei ficar em isolamento", comentou. Hoje Fátima retomou a rotina e faz apenas acompanhamento médico. Ela já não apresenta sintomas da doença, mas realiza os exames a cada seis meses.
A dona de casa Sheila Rosana Carvalho, de 51, também passa pelos exames a cada seis meses por meio da Unidade Básica de Saúde que fica na Avenida São Paulo, no centro de Londrina. Depois de acompanhar de perto o sofrimento de uma amiga que teve câncer de mama, ela passou a se cuidar mais. "No ano que minha amiga não fez os exames, a doença apareceu", disse Sheila. A paciente se recuperou e a dona de casa destacou que sempre foi atendida com tranquilidade no posto de saúde.
Conforme a Diretoria de Regulação de Atenção à Saúde, quatro convênios firmados pelo município garantem a realização das mamografias de forma gratuita para as pacientes. Duas clínicas particulares, o Hospital do Câncer de Londrina e o Hospital Evangélico, disponibilizam as vagas. Os valores dos convênios não foram revelados, mas o repasse é feito de acordo com o número de exames realizados durante o mês. O pagamento é executado com recursos do Ministério da Saúde. Cada exame custa R$ 45.
Leia também:
- 26 ginecologistas para 40 unidades de saúde


