Sobram vagas para deficientes
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quinta-feira, 01 de dezembro de 2005
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Sobram vagas no mercado de trabalho londrinense para deficientes físicos, que não conseguem atender às exigências das empresas. Para a Associação dos Deficientes de Londrina (Adefil), o problema esconde uma forma de as empresas burlarem a lei federal número 8.213/1993, que prevê a proibição de ato discriminatório no tocante a salário ou critérios de admissão em virtude de portar deficiência, e dos empresários não obedecerem ao decreto de 1993, que institui a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. O decreto prevê que a empresa com 100 ou mais empregados está obrigada a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência.
''Alguns empregadores impõem muitas exigências. Recentemente, uma dessas empresas pediu para mandarmos 10 candidatos. Porém, nenhum conseguiu ser contratado porque o trabalho era para ser feito em pé. O trabalho é feito em pé. Como uma pessoa que tem uma deficiência na perna poderá desempenhar um serviço desses? Alguém que usa muletas também não se adapta porque não tem equilíbrio. Então, as empresas conseguem uma CND (Certidão Negativa de Débito) ao dizer que nenhum dos candidatos a uma vaga para deficiente passou pela avaliação, escapando do que diz a lei'', afirma a auxiliar administrativo da Adefil, Eliane Lima.
A associação é responsável pelo encaminhamento de deficientes físicos às empresas que solicitam candidatos. Ontem, a Adefil estava oferecendo 10 vagas. Eliane destaca que a associação ainda não conseguiu colocar no mercado de trabalho nenhum cadeirante. ''Muitas empresas têm escadas de acesso aos locais de trabalho. Seria necessária uma adaptação, instalando elevadores. A Copel é um exemplo. Temos um convênio com a companhia, que oferece vagas para atendentes. Porém, a sala desse serviço é no segundo andar.''
Além das barreiras arquitetônicas, os deficientes físicos têm que superar a falta de capacitação profissional. Eliane lembra que muitos pessoas se tornam deficientes em consequência de acidentes. ''A maioria fica impossibilitada de trabalhar na profissão que exercia até se acidentar. Por isso, recomendamos que voltem a estudar para que consigam entrar no mercado de trabalho'', afirmou Eliane, acrescentando que a associação oferece curso gratuito de informática básica.
Através da Adefil, 35 deficientes físicos ocupam vagas de atendente ao cliente na Copel. A companhia ainda oferece outras quatros vagas. Há seis anos, o convênio com a Adefil foi firmado e o candidato recebe 180 horas de treinamento, com noções de eletricidade, relacionamento com o cliente, procedimentos comerciais e qualidade total. ''Dois dos deficientes que entraram através desse convênio conseguiram passar em concurso público da Copel'', ressalta o assessor de imprensa da Copel, Marcelo Rothen, dizendo ainda que a intenção da companhia é adequar a estrutura física para poder receber funcionários cadeirantes.
Há 40 anos no mercado, a empresa Pacaembu Autopeças mantém em seus quadros cerca de 25 portadores de deficiência física nas 14 filiais. ''Contratamos deficientes não só pelo que diz a lei, mas também pela questão social. Oferecemos vários treinamentos para que se adaptem ao trabalho'', afirma Cilmar Soares Pereira, responsável pela unidade londrinense da empresa.
Rosineide Felicidade Rafael, 38 anos, trabalhou de empregada doméstica e costureira, mas não consegue encontrar uma vaga no mercado de trabalho. Ela tem dificuldades para subir e descer escadas devida à sequela de poliomielite, mas assegura que o problema não a impede de trabalhar. Ela acredita que a falta de capacitação profissional possa ter dificultado. Por isso, em 2004, voltou a estudar e espera concluir o ensino médio. Rosineide também participou do curso de informática da Adefil. ''Eu acordei tarde, mas resolvi voltar a estudar.''
Serviço: Mais informações sobre vagas de trabalho ou curso de informática na Adefil pelo fone 3342-6803.


