Pelo menos 100 mil veículos trafegam diariamente pelas ruas de Londrina, segundo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Boa parte desses motoristas passa, pelo menos uma vez por dia, pelo Anel Central. Se nesse cenário simplesmente rodar já não é uma tarefa das mais agradáveis, o ato de estacionar requer o dobro em horário bancário, o triplo da paciência.
No centro, praticamente todas as ruas só permitem estacionar em um dos lados. Nos pontos mais movimentados, regulamentados pela Zona Azul, são apenas 1,5 mil vagas disponíveis. Conseguir uma delas requer estratégia e um pouco de ousadia. No estacionamento transversal em um trecho da avenida Rio de Janeiro, por exemplo, as filas duplas de motoristas que aguardam uma vaga já se incorporaram a rotina, mesmo sob a pena de multa.
''A região central é horrível, já cheguei a desistir e ir embora sem fazer o que eu queria'', comentou o estudante de Direito Carlos Eduardo Zanolla, 26 anos. Ele trabalha em um escritório na Galeria Vila Rica e reclama do tempo perdido na procura de uma vaga. ''A gente sempre está entrando e saindo e cada vez são 10 a 15 minutos atrás de um lugar'', afirmou.
Para ganhar tempo quando tem cobranças e outros trabalhos de rua, o funcionário municipal Sebastião Pereira, 42 anos, tem uma tática certeira. ''Quanto tem essas coisas para fazer vamos em dois, nem precisaria, mas assim um vai e outro fica no carro senão é muito tempo perdido'', afirmou, enquanto aguardava, em fila dupla, uma vaga enquanto o outro funcionário seguia atrás do compromisso. Quando o assunto é particular, a estratégia é outra. ''Quando saio com o meu carro deixo bem longe mesmo e resolvo tudo a pé, nunca tem vaga no centro e os estacionamentos são muito caros'', reclamou.
Caros ou não, os estacionamentos privados são uma atividade em expansão na cidade. São mais de 100, a maioria na Área Central, segundo dados da prefeitura. Apesar dos preços, que chegam a custar R$ 3 a hora, mais de quatro vezes o valor cobrado pela Zona Azul cujo cupom custa R$0,70 , não faltam motoristas que preferem optar pela comodidade de ter sempre uma vaga a mão e a segurança que o estacionamento oferece em relação à rua.
''Primeiro eu costumo procurar na rua mesmo mas, se não acho, acabo optando pelo estacionamento se bem que às vezes até no estacionamento é difícil achar vaga'', ponderou o estudante Jorge Donizete Hoio, 19 anos, que pagou R$1,50 para deixar o carro meia hora. Segundo ele, por falta de opção, o estacionamento é mais utilizado. ''É caro mas a gente ganha tempo'', finalizou.
Contudo, em outras situações, como quem usa o carro para ir trabahar, o estacionamento privado acaba sendo mais barato que deixar o veículo nas áreas da Zona Azul. As menores mensalidades, de R$30, tem um custo de R$ 1,20 por dia, o equivalente a menos de duas horas de estacionamento regulamentado.

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