Sobra verba para cirurgia de reduções de estômago
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Cento e quarenta pacientes obesos de Londrina e região estão prontos para a cirurgia de redução do estômago realizada pela equipe do Hospital Universitário (HU), único centro de referência cadastrado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Norte do Paraná. No entanto, a falta de leitos nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) tem atrasado os procedimentos.
Segundo a psicóloga Vânia Vargas, coordenadora dos grupos de psicologia na cirurgia da obesidade do HU, o hospital está autorizado a realizar uma cirurgia por semana, mas este ano realizou apenas cinco operações de janeiro a setembro. Ainda em julho, os pacientes foram instruídos pelo próprio hospital a lutar pela retomada dos procedimentos. A campanha fez efeito e desde outubro já foram realizadas outras seis cirurgias, quatro femininas e duas masculinas.
A dona-de-casa Eliana Moretin Maziero, presidente da organização não-governamental Valorizando os Obesos, que reúne pacientes que estão há mais de cinco anos na fila de espera pela cirurgia bariátrica no Hospital Universitário, conta que depois de uma passeata realizada no Calçadão e a coleta de um abaixo-assinado entregue à promotoria e à Secretaria da Saúde, em outubro, ''o problema começou a ser solucionado''.
''Cirurgias com as quais não estávamos contando aconteceram, mostrando que os procedimentos voltaram a todo vapor'', avalia Eliana. Conforme ela, a lista, que hoje supera 800 pacientes, não pode ficar parada. ''Tem que ser feita pelo menos uma cirurgia por mês'', diz.
''O problema não é só nosso, existem muitos pacientes lutando contra outras doenças como o câncer, por exemplo, que precisam da estrutura do hospital, que atende cirurgias de todo tipo'', opina.
Ainda assim ela defende que Londrina precisa de mais um centro de referência para a realização das cirurgias bariátricas. ''Um grupo de pacientes do Evangélico também está começando a se organizar como nós e defende a mesma bandeira, já que tem muito obeso na região.''
O grupo ao qual Eliana se refere é o Obesolon, uma ONG que reúne pacientes obesos num espaço cedido pelo Hospital Evangélico. Segundo Marcia Vieira de Lima, presidente da ONG, muitos pacientes aguardam até dez anos na fila para conseguir realizar a cirurgia bariátrica. ''O Evangélico tem três equipes médicas esperando para realizar as operações e dar mais fôlego ao HU, que é responsável pela maioria das cirurgias realizadas na cidade e na região.''
''A decisão depende apenas de uma assinatura e a gente está precisando'', completa Marcia, lembrando que o grupo tem lutado para diminuir a fila das cirurgias há cinco anos.
Segundo o cirurgião José Carlos de Lacerda Souza, responsável pelo setor de cirurgia do aparelho digestivo do HU, um conjunto de fatores tem impedido a realização das cirurgias bariátricas desde a implantação do programa de obesidade mórbida, há dez anos.
No início, recorda o médico, o HU foi centro de treinamento para os cirurgiões de Londrina e região e realizava cirurgias bariátricas de segunda à sexta. ''Para contemplar todo os setores, não só do aparelho digestivo, foi elaborada uma programação e o número de cirurgias caiu para três por semana e depois, finalmente, para uma operação semanal'', explica.
A falta de vagas, de leitos de UTI e anestesistas é o que causa a morosidade nos procedimentos, complementa Souza. Inclusive, a equipe de sete cirurgiões do aparelho digestivo do hospital enviou uma carta à promotoria justificando a queda no número de operações este ano, quando a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica decidiu desligar o HU do SUS por não estar cumprindo a meta de cirurgias.
''Na carta alegamos que nós, cirurgiões, estamos à disposição para realizar uma cirurgia por semana como foi determinado no início, mas que o problema não depende dos médicos.''
Ainda conforme Souza, não só os obesos, como também pacientes colostomizados, com câncer, hemorróidas e outras doenças, dependem das cirurgias. ''Por ser um hospital que atende todo tipo de emergência, acaba faltando estrutura mesmo. E para normalizar as cirurgias bariátricas é preciso normalizar todo o ciclo.''
Para o médico, mesmo que o Hospital Evangélico também se torne referência, a equipe irá enfrentar as mesmas dificuldades estruturais do HU a longo prazo. ''Principalmente porque no Evangélico não há um programa multidisciplinar com psicólogos, nutricionistas e endocrinologistas que façam o acompanhamento pós-cirúrgico.''


