Sobra lixo e falta banho de sol
Josoé de CarvalhoValle e Moretto, com o delegado do 3º DP, Jurandir AndréComida de péssima qualidade, falta de acompanhamento jurídico, assistência médica precária e dificuldade para dormir por causa da superlotação – nove presos se amontoam em um local onde deveriam estar quatro. Em uma rápida conversa com os detentos do 3º Distrito, no Jardim Bandeirantes (zona oeste de Londrina) é possível ouvir várias reclamações.
Uma das queixas mais comuns é sobre os presos já condenados, mas que ainda não foram transferidos para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) ou para a Colônia Penal Agrícola, na região Metropolitana de Curitiba. ‘‘A Justiça é vagarosa’’, resumiu M.M., 33 anos, preso há oito meses por estar dirigindo embriagado.
Os detentos reclamam também que há um mês não estão tendo acesso ao pátio para o banho de sol. ‘‘Eles só chegam pra gente e dizem que não vamos pro pátio e a gente não pode fazer nada’’, lamentou um preso. Os presos, geralmente vão uma vez por semana ao pátio, onde ficam três horas.
Os detentos da cela X1 reclamam ainda das condições de higiene do local, já que o lixo recolhido na carceragem fica em um canto próximo a eles. ‘‘No final de semana, junta um monte de lixo e fica aquele cheiro azedo de comida estragada, não dá nem pra dormir’’, reclamou um preso. ‘‘O que custa jogar o lixo fora?’’
O delegado do distrito, Jurandir Gonçalves André, confirmou que os presos ficaram sem acesso ao pátio de sol, mas foi por apenas duas semanas. Ele explicou que o banho de sol só é possível quando eles contam com apoio da Polícia Militar. ‘‘Tem dia que eles estão com as ocorrências deles e não podem vir para cᒒ, disse. ‘‘O ideal seria a existência de guarda externa 24 horas por dia’’.
Sobre o lixo que fica amontoado, Jurandir André contou que isso acontece porque nos finais de semana a carceragem fica fechada, sendo proibida a entrada de policiais, com exceção dos casos de emergência. A medida é, segundo ele, uma forma de prevenir fugas, já que em algumas ocasiões detentos conseguiram escapar atraindo o carcereiro para próximo das celas.
Apesar de não citar números, o delegado afirma que uma das grandes dificuldades que encontra é a falta de recursos humanos. Segundo o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, a média em cada distrito é de um delegado, dois escrivães e cinco investigadores.
Além de ser um dos maiores distritos de Londrina, uma peculiaridade do 3º DP é a existência de uma cela forte, destinada a abrigar presos jurados de morte ou que podem ser perseguidos pelos outros por terem cometido um crime sexual, por exemplo. ‘‘Nesta cela, o preso não tem condições de ser agredido’’, afirmou Jurandir André, que mandou construir a cela há dois anos. (L.O.)

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