Enquanto falta emprego para um batalhão de homens e mulheres, a Agência do Trabalhador de Londrina oferece com frequência vagas para pessoas com deficiência. Atualmente há 50 vagas disponíveis para este público, em um sinal de que as empresas contratam - ou tentam contratar - frequentemente. Por outro lado, porém, muitos que nasceram com alguma deficiência ou a adquiriram ao longo da vida não conseguem uma colocação no mercado de trabalho.
As barreiras, segundo os profissionais da área, estão nos próprios candidatos, que não procuram se qualificar, como nas empresas, que abrem as vagas para deficientes por determinação da lei (nº 8213, de 1991) mas fazem uma série de exigências que dificultam a contratação. ''Algumas empresas têm boa-vontade, fazem as adequações necessárias para receber as pessoas com deficiência, e já perceberam que isto traz muitos benefícios, como a imagem positiva diante do público. Outras, porém, abrem as vagas só para fingir que cumprem a lei mas oferecem cargos que não se adequam aos deficientes'', observa Roberto Gonçalves, gerente da Agência do Trabalhador de Londrina.
De acordo com dados da Agência, há 1.151 pessoas cadastradas, com todos os tipos de deficiência. Em 2006 foram ofertadas 164 vagas de trabalho; 157 foram preenchidas. Este ano já foram ofertadas 347. Destas, 181 foram preenchidas.
Já na Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil) há cerca de 600 cadastrados. Destes, 100 estão trabalhando e 50 desejam trabalhar, mas não têm qualificação. Os demais são crianças ou idosos. ''Estes que estão tentando trabalhar mas não conseguem se qualificar enfrentam dificuldades como o custo dos cursos e a falta de acessibilidade'', explica a auxiliar do departamento pessoal da Associação, Eliane Violante Striquer.
Eliane reconhece que há casos em que a família superprotege o deficiente, e este não se acha capaz de enfrentar as barreiras do mercado de trabalho. ''São pessoas extremamente dependentes, que arrumam argumentos o tempo todo para não ir à luta. Mas o que se qualificam e enfrentam as dificuldades conseguem bons empregos'', garante. Para Eliane, as pessoas com deficiência devem ser encaradas como pessoas normais, que têm como lutar como todas as outras para conseguir um emprego, porém têm suas particularidades.
Ela lembra que em algumas empresas é hábito manter o funcionário durante o período de experiência e depois dispensá-los. ''Isso cria um receio em todos, porque para começar a trabalhar eles têm que abrir mão do BPC (Benefício de Prestação Continuada), no valor de um salário mínimo, e se o emprego não dá certo eles não podem requerer o benefício novamente.''
Segundo Eliane, também há casos em que o deficiente faz as contas e chega à conclusão que os investimentos que terá que fazer para se qualificar, somado aos sacrifícios de locomoção, preconceitos e baixos salários oferecidos pelas empresa, não compensam. ''Eles preferem ficar em casa, dependentes do dinheiro pago pelo governo'', diz.
Este não foi o caso do bancário Marcos Fernando Leite, de 26 anos, que há quatro anos sofreu um acidente de moto e ficou com uma lesão no braço direito. Passado o susto, ele partiu para uma luta incessante para superar as novas dificuldades e não aceitou o diagnóstico de perda dos movimentos de um dos braços. ''O portador de deficiência física tem que ir atrás da qualificação e disputar as vagas no mercado de trabalho em pé de igualdade com outros candidatos'', acredita.
Marcos conseguiu seu emprego um ano e dois meses depois do acidente. No próximo domingo ele vai dar uma palestra sobre Capacitação Profissional na Associação de Funcionários do Banco Itaú, em evento promovido pela Adefil para marcar o Dia de Luto Contra a Deficiência. Durante a palestra o bancário pretende fazer um relato de sua experiência, marcada pela superação.
''Quero falar da importância da auto-estima e de ter perspectiva de vida. O trabalho deve ser uma forma de dignificar a pessoa. Quando sofri o acidente queriam me aposentar por invalidez aos 22 anos, mas eu me recusei e fui à luta. Hoje já recuperei grande parte dos movimentos do braço, trabalho, estudo, dirijo, levo uma vida normal'', afirma.

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