Sobe para 23 o número de mortos durante rebelião
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2001
Alexandre Palmar<br>De Foz do Iguaçu 
Subiu para 23 o número de presos mortos queimados e asfixiados na rebelião da Penitenciária Regional de Ciudad del Este, fronteira com Foz do Iguaçu. Três deles são brasileiros e pelo menos um é argentino. O relatório do motim foi divulgado ontem pela Polícia Nacional do Paraguai. O Ministério Público investigará a responsabilidade dos presos e da administração da cadeia na tragédia.
Além das vítimas fatais, outras 70 pessoas tiveram queimaduras graves, problemas de intoxicação e ferimentos durante o tumulto. Os feridos lotaram três hospitais da cidade e um de Hernadárias (município vizinho). Pelos menos 18 em estado grave de saúde foram encaminhados de avião para hospitais de Assunção.
Versão da Polícia Nacional, divulgada através de comunicado, revela que o motim ocorrido anteontem começou após o guarda Juan Carlos Ojeda atirar no detento Simon Torres, que teria ameaçado o oficial com uma arma branca durante uma vistoria nas celas. A bala teria atingido a perna, mas, segundo os presos, Simon morreu depois de receber três tiros.
Os tiros desencadearam a revolta dos encarcerados num pavilhão (a unidade tem seis alas). Os rebelados atearam fogo em colchões e outros objetos. A promotora Basiliza Vásquez vai investigar se a chefia da penitenciária poderia ter aberto as celas neste tempo, para em seguida levar os presos ao pátio. Há suspeitas que os diretores teriam evitado tomar a atitude, temendo uma fuga em massa.
A cadeia estava com mais que o dobro de sua lotação. Com capacidade para 250 detentos, ela abrigava 527 pessoas, grande parte dos presos eram estrangeiros. Os brasileiros mortos foram Ramos Magri Emerson, Pedro Silva e Orlando Martins dos Santos. O argentino Sandro Marcelo Hirsch também morreu. A corporação deve comunicar os parentes das vítimas sobre os óbitos.
O fogo foi controlado após quatro horas de trabalho do Corpo de Bombeiros. O trabalho foi dificultado com o corte no fornecimento de água para a cadeia, conforme a Polícia Nacional do Paraguai, ''coincidentemente'' no sábado pela manhã.


