Sobe o preço das passagens intermunicipais
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terça-feira, 02 de maio de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Passageiros que utilizam os serviços do transporte coletivo rodoviário intermunicipal no Estado surpreenderam-se ontem ao entrar nos ônibus. As tarifas sofreram um aumento de até 13,88%, e vários usuários ouvidos pela Folha não haviam sido informados do aumento. O reajuste anterior aconteceu em junho do ano passado e segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), a majoração das tarifas é contratual e ocorre anualmente entre os meses de maio e junho.
De acordo com a Secretaria Estadual dos Transportes (Sest), a variação dos reajustes autorizados pelo governo ficou na faixa dos 10%, abaixo dos 15,84% requisitado por um dos sindicatos. O Rodopar, por exemplo, sindicato das empresas de transporte rodoviário intermunicipal de passageiros, que congrega 23 transportadoras do sistema rodoviário, requisitou ao DER aumento de 15,87% nas tarifas, informou a Sest, através de nota enviada pela assessoria de imprensa.
A Secretaria esclareceu ainda que os índices são resultado de uma planilha que leva em consideração diferentes fatores e insumos no cálculo da tarifa. Atualmente há 538 linhas rodoviárias no Paraná, com 44 empresas operando, e 145 linhas metropolitanas, sob responsabilidade de 26 empresas. Ainda de acordo com a Sest a responsabilidade de divulgar os reajustes com antecedência é das empresas.
O gerente da TIL Transportes Coletivos Ltda., Eduardo Dias, disse que os passageiros foram informados através de cartazes. A empresa trabalha em integração com o serviço urbano de Cambé e Ibiporã, com tarifa única, que passou de R$ 1,80 para R$ 1,90. O reajuste foi de 5,56%, e a passagem continua mais barata do que a do transporte urbano de Londrina, que é de R$ 2,00, lembrou. Para Dias, o aumento teria, pelo menos que acompanhar a inflação do setor. O reajuste não contemplou nem os aumentos dos insumos, e isto vai exaurindo a capacidade da empresa, disse o gerente.
Para os usuários, porém, o aumento vai pesar no bolso. Eu gastava cerca de R$ 60,00 e agora vou gastar em torno de R$ 80,00. Foi um aumento absurdo, definiu a estudante Paula Fernanda Kreling, que vem de Rolândia a Londrina diariamente. Ela conta que dificilmente consegue um lugar para percorrer sentada os 25 quilômetros entre uma cidade e outra. A passagem para percorrer o trecho passou de R$ 1,80 para R$ 2,05.
Assim como Paula, o metalúrgico Bruno Henrique Carneiro da Silva, foi surpreendido ontem pelo aumento. No meio da tarde, ele aguardava o ônibus para Colorado (85 km ao norte de Maringá), com R$ 16,00 contados no bolso. Se o preço não for mais este, não vou ter dinheiro para a viagem, afirmou.
Segundo a Sest, nas linhas com características rodoviárias (ônibus equipados com poltronas estofadas e reclináveis) a variação foi de 10,98%. Já as tarifas das linhas metropolitanas, onde os veículos têm características urbanas e os passageiros podem viajar em pé, tiveram acréscimo médio de 10,68%. Os valores dependem da quilometragem rodada.


