Passageiros que utilizam os serviços do transporte coletivo rodoviário intermunicipal no Estado surpreenderam-se ontem ao entrar nos ônibus. As tarifas sofreram um aumento de até 13,88%, e vários usuários ouvidos pela Folha não haviam sido informados do aumento. O reajuste anterior aconteceu em junho do ano passado e segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), a majoração das tarifas é contratual e ocorre anualmente entre os meses de maio e junho.
  De acordo com a Secretaria Estadual dos Transportes (Sest), a variação dos reajustes autorizados pelo governo ficou na faixa dos 10%, abaixo dos 15,84% requisitado por um dos sindicatos. ‘‘O Rodopar, por exemplo, sindicato das empresas de transporte rodoviário intermunicipal de passageiros, que congrega 23 transportadoras do sistema rodoviário, requisitou ao DER aumento de 15,87% nas tarifas’’, informou a Sest, através de nota enviada pela assessoria de imprensa.
  A Secretaria esclareceu ainda que os índices são resultado de uma planilha que leva em consideração diferentes fatores e insumos no cálculo da tarifa. Atualmente há 538 linhas rodoviárias no Paraná, com 44 empresas operando, e 145 linhas metropolitanas, sob responsabilidade de 26 empresas. Ainda de acordo com a Sest a responsabilidade de divulgar os reajustes com antecedência é das empresas.
  O gerente da TIL Transportes Coletivos Ltda., Eduardo Dias, disse que os passageiros foram informados através de cartazes. A empresa trabalha em integração com o serviço urbano de Cambé e Ibiporã, com tarifa única, que passou de R$ 1,80 para R$ 1,90. ‘‘O reajuste foi de 5,56%, e a passagem continua mais barata do que a do transporte urbano de Londrina, que é de R$ 2,00’’, lembrou. Para Dias, o aumento teria, pelo menos que acompanhar a inflação do setor. ‘‘O reajuste não contemplou nem os aumentos dos insumos, e isto vai exaurindo a capacidade da empresa’’, disse o gerente.
  Para os usuários, porém, o aumento vai pesar no bolso. ‘‘Eu gastava cerca de R$ 60,00 e agora vou gastar em torno de R$ 80,00. Foi um aumento absurdo’’, definiu a estudante Paula Fernanda Kreling, que vem de Rolândia a Londrina diariamente. Ela conta que dificilmente consegue um lugar para percorrer sentada os 25 quilômetros entre uma cidade e outra. A passagem para percorrer o trecho passou de R$ 1,80 para R$ 2,05.
  Assim como Paula, o metalúrgico Bruno Henrique Carneiro da Silva, foi surpreendido ontem pelo aumento. No meio da tarde, ele aguardava o ônibus para Colorado (85 km ao norte de Maringá), com R$ 16,00 contados no bolso. ‘‘Se o preço não for mais este, não vou ter dinheiro para a viagem’’, afirmou.
  Segundo a Sest, nas linhas com características rodoviárias (ônibus equipados com poltronas estofadas e reclináveis) a variação foi de 10,98%. Já as tarifas das linhas metropolitanas, onde os veículos têm características urbanas e os passageiros podem viajar em pé, tiveram acréscimo médio de 10,68%. Os valores dependem da quilometragem rodada.

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