Marcado pela 27 troca de comando de sua história e por mais um período de turbulência, o 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Londrina completa hoje 40 anos de existência. Em quatro décadas, o maior corpo de tropas da PM no interior do Paraná atravessou profundas mudanças no perfil da criminalidade e na tecnologia empregada para combatê-la.
Segundo informações históricas levantadas no arquivo da FOLHA, o 5º BPM iniciou suas atividades com um efetivo de 150 homens, entre oficiais e praças. O primeiro quartel foi instalado em um imóvel alugado no Jardim Shangri-lá, próximo ao então abandonado mercado do bairro. Nenhum remanescente daquela turma continua atuando no batalhão.
O PM apontado como o mais antigo pelo setor de Recursos Humanos do 5º BPM é o subtenente Sérgio Aparecido Conson, 49 anos de idade e 30 de serviços prestados à corporação. Embora tenha chegado ao batalhão já às vésperas da década de 80, ele afirma ter testemunhado grandes transformações.
''Quando entrei como soldado, as viaturas policiais eram quatro fuscas que faziam a ronda de toda a cidade. Os registros de ocorrência eram batidos à máquina e passados em mimeógrafos - computador, nem pensar'', recorda o oficial, que hoje trabalha na Central de Operações (Copom), dentro do batalhão, e vê os colegas saírem às ruas em veículos potentes de marcas como Senic e Blazer. No lugar das máquinas de escrever, os microcomputadores abriram portas para inovações como o Boletim de Ocorrência Unificado entre as polícias Civil e Militar e o sistema de geoprocessamento que desenha o ''mapa do crime'' no Estado.
A ''evolução'' da criminalidade, porém, foi proporcional à da tecnologia. ''Era muito difícil ter roubo no começo, ocorriam mais furtos e agressões. Não havia tantas armas circulando, muito menos adolescentes envolvidos no crime'', atesta Conson. Por outro lado, ele afirma que hoje é mais fácil conseguir apoio para as operações. ''O efetivo é maior e abrange um número de municípios menor. Naquela época, atendíamos até Arapongas.'' Hoje a área do 5º BPM engloba Londrina, Cambé, Ibiporã e Tamarana.
Perto de se aposentar, o subtenente já tem um herdeiro no batalhão. Soldado como o pai foi há 30 anos, o jovem Robert Ulrich Conson, 24, iniciou sua carreira na PM em 2005. ''Não posso negar que tive influência dele. Desde criança vinha ao batalhão e ficava admirado com o pelotão marchando nos eventos comemorativos'', conta.
Robert sente na pele, hoje, as mudanças sobre as quais o pai teoriza. Já teve que enfrentar meninos bem mais novos que ele armados e observa que, antigamente, a polícia era mais respeitada. ''Hoje em dia os menores não respeitam muito, pois acham que nunca vão ser punidos'', analisa o soldado, garantindo que isso não o faz se sentir menos realizado. ''Sonho em me aposentar aqui dentro.''
As autoridades não revelam o efetivo do 5º BPM alegando questões de segurança. Extra-oficialmente, policiais da reserva já afirmaram que o batalhão possuía em torno de 1 mil policiais até o ano passado. Há dois meses, 176 PMs aprovados no último concurso público foram chamados para reforçar as tropas. Ao mesmo tempo, 140 policiais militares receberam recente homenagem justamente porque se aposentaram no último ano.

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