Um clima quase que de trégua invadiu o Calçadão de Londrina, dois dias depois que o confronto entre ambulante e fiscais da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) acabou na delegacia. Nesse período, poucos vendedores se arriscaram a comercializar produtos e muitos passavam apressados pelo Calçadão no início da tarde de ontem. A queda de braço entre a fiscalização e os irregulares, contudo, está longe de acabar.
Um dos pontos de maior circulação de pessoas em Londrina, o Calçadão é mira certa de ambulantes. ''A gente arrisca perder a mercadoria mas tem que trabalhar'', argumenta o baiano Luís dos Santos Macedo, 30 anos, instalado há quase um ano na cidade. Ele comercializa cintos e carteiras e afirma nunca ter sido pego pelos fiscais. ''Se conversar bem dá para se livrar'', diz.
Segundo ele, o macete para vender com relativa tranquilidade é ''respeitar os fiscais''. ''Se você vê que ele está chegando, sai fora para não desrespeitar, eu sei que estou errado'', ensina, referindo-se a uma espécie de acordo de cavalheiros entre as partes. Os olheiros são outra estratégia importante e avisam os ambulantes da aproximação dos fiscais. O ambulante argumenta que já tentou regularizar sua situação junto a CMTU. ''A gente tenta alvará mas eles não dão'', afirma.
A regularização, entretanto, não é tarefa fácil. A lei proíbe a cessão da autorização ao ambulante por dois motivos. Um é a proibição do comércio informal no Calçadão, conforme o decreto 263/85. Além disso, os produtos comercializados por Macedo não estão incluídos na lista do Código de Posturas do Município que também proíbe a venda ambulante.
O critério parece estranho já que o comércio em barracas, vans ou carrinhos em ponto fixo é liberado. Basta ver a quantidade de vendedores de frutas, lancheiros, vendedores de doces entre outros que lotam a Área Central.
Para obter um alvará ou autorização de comercialização, os interessados precisam se inscrever na CMTU e o pedido se adequar a critérios legais, como distância de concorrentes, escolas e a espécie do produto comercializado. Depois de obtida a licença, é só renovar anualmente. O vendedor de alho Waldomiro Modesto, 65 anos, está há exatos 14 anos no mesmo ponto. ''Só saio daqui Deus sabe quando'', afirma.
Segundo informações do setor de coordenação dos ambulantes da CMTU, pelo menos 30 pedidos de licença são protocolados por mês. ''Todo mundo quer um ponto bom, de preferência no Calçadão'', brinca a chefe do setor, Bel de Oliveira. O diretor de Trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Júnior, reiterou que o sistema de fiscalização continuará o mesmo. ''Temos que cumprir a lei'', afirma.

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