SOB PRESSÃO - Entidades defendem carreira de Estado
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 
O Sindicato dos Médicos do Norte do Paraná (Sindimed) recebe, frequentemente, reclamações sobre as condições de trabalho nas unidades básicas de saúde, principalmente em relação à falta de conforto térmico, infiltrações, banheiros sem condições de uso e ainda relatos de agressões aos profissionais. "Tanto o paciente como o médico são vítimas de um sistema muito mal estruturado", afirma Alberto Toshio Oba, presidente da entidade.
O Sindicato e a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) trabalham para a aprovação da PEC 454/09, que institui a carreira de Estado do Médico. Pela proposta, que deve entrar na pauta de votação da Câmara dos Deputados no dia 21 de outubro, os médicos concursados teriam carreira única gerida pelo governo federal. A lei deve estabelecer critérios objetivos de lotação e remoção dos médicos de Estado, segundo a necessidade do serviço e considerando, para a elaboração dos requisitos de remoção, a pontuação por lotação em localidades remotas ou de difícil ou perigoso acesso.
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM) também defende a necessidade de uma carreira de médico e uma melhor gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). O presidente do CRM-PR, Luiz Ernesto Pujol, afirma que "o médico é mal visto, porque é o para-choque de um sistema público falido. O volume de doentes é imenso e o de médico é pequeno."
Esse cenário, de acordo com o CRM-PR, vem abalando a saúde dos profissionais, que cada vez mais precisam de tratamentos psicológicos e psiquiátricos. "A pressão é insuportável, tanto por parte de quem emprega, como de quem ele atende", afirma Pujol.
Por isso, aponta, os médicos brasileiros vem desenvolvendo a Síndrome de Bournout, conhecida como síndrome do esgotamento profissional. A principal caraterística da doença é estresse crônico e tensão emocional, e se manisfesta em atitudes agressivas, isolamento, ausências no trabalho, irritabilidade, dificuldade de concentração, depressão, lapso de memória, baixa autoestima, ansiedade e pessimismo.
Para o presidente do Sindimed , "as condições de trabalho está abaixo do que deveria estar e a estrutura do sistema de saúde esta errado, pois privilegia o tratamento da doença e não a prevenção". "Isso ocorre porque há um despreparo dos gestores e o financiamento da saúde é baixo para chegar onde deveria", completa Alberto Toshio Oba.


