Sob as águas, um depósito de lama e lixo
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de junho de 2001
Célia Guerra De Londrina 
Pneus velhos, garrafas de refrigerante (pet), latas diversas e muita, muita lama. Quem imaginou o lixão de Londrina, se enganou. O quadro é do Lago Igapó 2 após o esvaziamento. Na opinião do secretário de Obras, Luiz Carlos Bracarense, não é possível listar os responsáveis pelo assoreamento do lago, pois o processo não é recente. Todas as construções levantadas na região tiveram a sua contribuição, além da própria população, presume.
A Sanepar assumiu a responsabilidade por algumas toneladas de lama, trazidas da estação de tratamento de água e despejadas num braço do córrego Água Fresca. Segundo Bracarense, a Promotoria do Meio Ambiente exigiu que a empresa fizesse o tratamento desse material.
Para o ambientalista João Batista Moreira de Souza, da Organização Não-Governamental (ONG) Patrulha das Águas, os maiores responsáveis não são a Sanepar e algumas indústrias. A prefeitura e a população têm, para ele, 70% da culpa no assoreamento do lago. Está no código de posturas que a limpeza das ruas, calçadas e terrenos baldios é de responsabilidade de cada morador e da prefeitura, avalia.
O triste cenário do lago vazio entretanto não tem data para ser modificado, apesar da Secretaria de Obras reafirmar que o prazo de entrega à população (sete meses após o esvaziamento) permanece inalterado. O projeto de revitalização deve ser apresentado no início da próxima semana. Bracarense contesta a hipótese de que não houve um planejamento para esvaziar o Igapó. Ele garante que desde o início era sabido que o projeto só seria possível após o esvazimento quando se conheceria a extensão do problema e das necessidades de recuperação.
Bracarense listou as fases do trabalho já executadas, todas elas previstas no cronograma das obras. A primeira ação foi a verificação da infiltração da água na barragem, o risco estrutural da barragem de terra e da estrutura da ponte da Avenida Higienópolis. Depois foi previsto o reparo nas duas comportas entre os Igapó 1 e 2, por elas estarem abaixo da lâmina dágua do Lago 2. Determinou-se então o esvazimento do Lago para os reparos, pois a secretaria não teria disponibilidade para trabalhar na água.
O grave assoreamento do Igapó 2, destaca o secretário, já era sabido, assim foram envolvidos os órgãos ambientais e a Universidade pelo salvamento dos peixes. Os operários da secretaria estão trabalhando na demolição do vertedouro e na sequência estão previstas a construção da barragem e do novo vertedouro. Tudo está sendo feito de acordo com o que foi previsto pelo planejamento que possuíamos, justificou.
O teste da draga, comenta Bracarense, não teve custo para a prefeitura, foi uma oferta de pessoas dispostas a contribuir com as obras. Ele afirmou ainda que estão aceitando toda a contribuição que vier e há, segundo ele, vários proprietários de caminhões que se comprometeram em colaborar no transporte da lama a ser retirada.
Um estudo feito sobre a composição da lama, de acordo com o secretário de Obras, determinou que há terra contaminada, mas há também muita quantidade que pode ser reaproveitada. Entre as idéias de aproveitamento sugeridas há a previsão de utilizar parte da terra boa no aterro do Igapó 3. Aquele aterro utilizou apenas entulhos e não há camada orgânica suficiente para o ajardinamento, observou. Outro tanto pode servir para a construção da pista de caminhada ao redor do lago. Para o material comprometido a previsão e de que seja utilizado para recobrir o aterro sanitário.


