Rodrigo Pereira de Oliveira, 16 anos, conhecido como ''Rodriguinho'', foi morto na noite de 18 de maio deste ano, no quintal da casa de uma tia, no Jardim União da Vitória II (zona sul de Londrina). Depois de identificar os autores do crime, a família teve que sair às pressas do bairro porque também foi ameaçada de morte.
Há cerca de 10 dias, a tia e a mãe do adolescente estão alojadas em um abrigo mas temem que, mais cedo ou mais tarde, possam ser localizadas. O drama da família expõe a fragilidade com relação à falta de garantias oferecidas a testemunhas de crimes. Para preservar a integridade e a vida da mãe e da tia do adolescente, a Folha não divulgará suas identidades nem a cidade onde estão.
A história de Rodriguinho com drogas começou quando tinha apenas quatro anos. Com essa idade, segundo a tia, ele começou a usar cola e solventes. Aos 13 anos, ele conheceu a ''nóia'' crack , droga de alto poder viciante feita à base de cocaína. O garoto, que nunca foi a escola nem trabalhou, passou a praticar furtos e roubos no bairro para trocar por droga. Foram surgindo as inimizades e as primeiras ameaças. Dependente, por inúmeras vezes o jovem procurou ajuda em casas de recuperação mas, segundo a tia que também usava a droga, nunca conseguiu se livrar do vício.
As ameaças de morte ficaram ainda mais frequentes. Com o destino selado, Rodriguinho sabia que seu fim estava próximo. ''No dia que foi morto, ele chegou em casa com uns litros de vinho e disse que queria 'chapar' porque ia morrer'', comentou a mãe, que tenta se livrar da dependência do álcool. No dia 18 de maio, pouco antes das 23 horas, a tia estava em casa quando três homens armados e com os rostos cobertos com meias finas chamaram pelo sobrinho. Dois homens revistaram a casa e um terceiro ficou no quintal, onde Rodriguinho estava escondido. Ele foi descoberto, tentou negociar mas foi atingido por três tiros. Acabou caindo morto na rua dos Datilógrafos.
Depois de denunciar os autores do crime, a família passou a ser ameaçada e a casa quase foi incendiada. Com duas filhas para criar e grávida de sete meses, a tia teve que abandonar o bairro apenas com a roupa do corpo. Os comentários davam conta de que os mesmos criminosos estavam à sua procura. ''Estou apavorada, mesmo estando escondida.'' Ela não está fazendo o pré-natal do bebê porque teme até sair no portão e também não tem como receber a pensão alimentícia de uma filha por questões de segurança.
A mãe de Rodriguinho, que tem outros seis filhos - dois deles em poder do Conselho Tutelar -, também está com medo, pois os assassinos do filho continuam à procura das duas. Eles já teriam até mesmo invadido um sítio onde acreditavam que elas estivessem. A família acredita que a única solução seria mudar de Estado.

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