Foram abertos na manhã de ontem os envelopes com documentos contábeis referentes ao processo licitatório para instalação de 47 radares de velocidade nas ruas Londrina. Segundo o diretor de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior, das 27 empresas que compraram o edital, seis participaram da visita técnica, mas apenas uma apresentou a documentação necessária para participar da licitação. Na semana passada, o advogado Fábio Chagas Theophilo, presidente do Conselho de Trânsito de Londrina, recebeu uma denúncia anônima que informava o nome da empresa vencedora. Ele registrou a informação em cartório na última sexta-feira, que acabou sendo comprovada após a abertura dos envelopes, ontem de manhã.
Os documentos da Dataprom Equipamentos e Serviços de Informática Industrial Ltda, de Curitiba, já foram rubricados pelos membros da Comissão de Licitação da CMTU, que terão cinco dias para analisar a contabilidade da empresa. ''Depois disso, caso a empresa seja habilitada, será submetida a um teste de campo, com o modelo do equipamento, em locais a serem determinados pela CMTU, para avaliação da eficiência do sistema'', assinalou Grotti Júnior.
Caso a empresa supere todas as etapas, a companhia fará, em cerca de 20 dias, a abertura do envelope contendo a proposta financeira, que terá de ser inferior a R$ 3 mil mensais por equipamento a ser alugado. Segundo o diretor da CMTU, a intenção da companhia é instalar gradativamente os radares, ''priorizando os pontos de maior ocorrência de colisões e atropelamentos'', disse.
Na sexta-feira, Theophilo reforçou a representação encaminhada ao Ministério Público em agosto do ano passado, a qual questiona o processo licitatório para a instalação dos radares na cidade. O objetivo era cobrar um posicionamento da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público em relação ao valor.
Para Theophilo, o valor do aluguel dos equipamentos é muito elevado. O edital, publicado em agosto do ano passado, prevê a instalação de 46 radares a um custo mensal de R$ 91 mil por aparelho. O processo inclui ainda um radar móvel. ''Nos 30 meses de vigência, o gasto com os equipamentos pode superar R$ 11 milhões'', calculou o advogado, lembrando que em outubro do ano passado, a licitação já havia sido suspensa por conta de questionamentos de duas das 37 empresas que concorriam ao processo licitatório.
''Agora cabe ao Ministério Público apurar a coincidência e descobrir se as demais empresas abandonaram o processo licitatório porque o edital envolvia denúncias de irregularidade ou porque acreditavam que era um jogo de cartas marcadas'', declarou o advogado, sobre a denúncia anônima que recebeu. Na semana passada, a promotora de Defesa do Patrimônio Público, Leila Voltareli, disse que recebeu a representação e que iria analisar o edital de licitação para avaliar qual medida poderia ser tomada.
Grotti Júnior disse que recebeu ''com bastante surpresa e até como uma grande coincidência ele (Theófilo) ter o nome'' da empresa aprovada e destacou que até o momento não houve nenhum indício de irregularidade. ''Dentro do processo licitatório, se não houver nada que impeça a empresa de continuar, como vamos impedir que ela continue?'' Sobre o fato de a empresa ter sido a única a permanecer na disputa, ele comentou que ''licitação é isso mesmo''.

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