Curitiba - Dois terços da população do Paraná não são atendidos por rede de coleta de esgoto. Isso significa que o esgoto desses imóveis é despejado, sem nenhum tratamento, direto em valetas a céu aberto ou em rios e córregos do Estado. É o que revela o Diagnóstico Social e Econômico, elaborado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), órgão ligado à Secretaria de Estado do Planejamento. O documento baseia-se em dados do Censo Demográfico 2000 e tem objetivo de balizar as ações do atual governo estadual.
Hoje apenas 37,6% das residências têm rede de esgoto no Paraná. Das dez mesorregiões do Estado segundo classificação própria do Ipardes seis têm cobertura de coleta de esgoto inferior a 25%. Apenas na área de Curitiba, Região Metropolitana e Litoral a coleta chega a um pouco mais do que a metade da população, ficando em 58,61%.
A situação é mais crítica na região Centro-oriental, que envolve Campo Mourão e municípios vizinhos, onde só 9,97% da população têm coleta de esgoto. A menor cobertura acontece no Sudoeste, que inclui as redondezas de Francisco Beltrão e Pato Branco, onde a rede atende a 15,28% dos imóveis. Em seguida vem o Noroeste, que pega a área de Paranavaí, Umuarama e Cianorte (80 km a leste de Umuarama), com 17,47%. As regiões Centro-Sul, no entorno de Guarapuava, e Sudeste que inclui União da Vitória e Prudentópolis (64 km a leste de Guarapuava) têm cobertura de 19,7% dos domicílios. O Oeste aparece com uma cobertura um pouco acima, com 22,16% do esgoto coletado.
''O miolo do Paraná tem uma população na área rural mais elevada, o que justifica em parte esta baixa cobertura'', diz a pesquisadora do Ipardes, Maria de Lourdes Urban Klenk. Ela ressalta, no entanto, que este ''miolo'' é também a região mais pobre do Estado. ''Quando se verificam outros indicadores sociais, como o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), por exemplo, estas regiões aparecem também como as mais fragilizadas'', explica.
Três mesorregiões, o Norte Central que inclui a área de Londrina e Maringá, Norte Pioneiro e Centro-Oriental que envolve as redondezas de Ponta Grossa e Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa) têm cobertura semelhante, com rede de coleta de esgoto para cerca de 38,5% da população.
Apesar dos baixos números, o Paraná apresenta melhor cobertura da rede de esgoto do que os outros estados do Sul. Santa Catarina tem o pior desempenho, com 19,5% da população atendida. O Rio Grande do Sul atende 27,4%. Mas o Estado está bem abaixo de São Paulo, que atende 81,68% da população. São Paulo, aliás, puxa para cima o índice médio de cobertura no País, de 47,2%.
Outro dado significativo para medir o interesse político na área de saneamento é o crescimento da rede coletora de esgoto. ''Entre 1991 e 2000 houve um avanço muito grande no Brasil'', diz Maria de Lourdes, citando a evolução na cobertura por rede geral de esgoto e fossas assépticas. No Brasil, o atendimento dobrou, passando de 33,6% para 62,2% da população. No Paraná, passou de 20,6% para 53%. Já Santa Catarina deu um salto de 4,3% para chegar a 73,5% da população e Rio Grande do Sul de 11% para 68,4%.
''Os números mostram que o Paraná tem investido, mas não no ritmo necessário. Apesar do Interior ter a situação mais crítica, há muitas áreas de concentração urbana que estão crescendo e precisam de infra-estrutura'', diz Maria de Lourdes. É o caso da Região Metropolitana de Curitiba, por exemplo, que tem várias áreas de ocupação desordenada.

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