Apenas 1,16% dos hospitais do Paraná funcionam com certificado de qualidade. Em quatro anos de existência, o Instituto Paranaense de Acreditação em Serviços de Saúde (IPASS) emitiu o documento para sete instituições de saúde. Seis são de Curitiba e um de Cascavel. O Estado tem cerca de 600 hospitais.
‘‘Falta maior sensibilidade dos hospitais na área da saúde’’, afirma a presidente do IPASS, Ivete Wazur. Outros 47 hospitais (7,8% do total) esperam receber o certificado. O instituto foi criado para orientar as administrações e corpos clínicos a baixar os custos e desenvolver políticas de melhoria na prestação de serviços. Tem representantes da Secretaria da Saúde do Estado, Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar), Universidade Federal do Paraná (UFPR), enfermeiros e médicos.
Pesquisa feita pelo IPASS em 1995 já demonstrava falhas na visão de como planejar melhorias no atendimento. Apesar de 45 dos 47 hospitais estudados terem suas comissões internas de controle de qualidade, só 20% das instituições mantinham grupos de trabalho que promoviam ações práticas. ‘‘Tudo era muito burocrático’’, comenta Ivete. As instituições que receberam o certificado até agora são: Policlínica Cascavel, de Cascavel, e outros seis de Curitiba: Hospital Erasto Gaertner, Centro Comunitário Hospitalar Bairro Novo, Hospital da Cruz Vermelha, Hospital Vita, Clínica Lipoplastia e Hospital Pequeno Príncipe.
O que preocupa o IPASS é que o desinteresse possa comprometer também o monitoramento dos casos de infecções hospitalares, um dos temas que passam pela avaliação do instituto para conceder o certificado. ‘‘A falta de qualidade nos serviços só contribui com o aumento dos custos. A tendência é de que a situação vai ficar mais crítica. Esta conscientização ainda está vindo muito lentamente’’, diz Ivete.
A médica Maria Carneiro Leão, do Hospital de Clínicas, em Curitiba, diz que a infecção hospitalar também é causada pelo uso excessivo de antibióticos e o esquecimento de regras básicas de higiene. Usados em demasia, os medicamentos podem produzir metabolismos que aumentam a resistência das bactérias, surgidas naturalmente durante o tratamento.
Maria, cuja especialidade na medicina é a infectologia, diz que se médicos, enfermeiros e funcionários lavassem as mãos depois de entrar em contato com pacientes, cerca de 80% dos casos de infecção não aconteceriam. No Paraná, nem a Secretaria da Saúde do Estado e a Fehospar dispõem de números de ocorrências das infecções. A assessoria de imprensa da secretaria alega que ‘‘infecção não é uma doença notificada.’’ A Fehospar informa que não há condições de estabelecer um parâmetro, mas garante que os índices são os mais baixos do País.