Até o final da tarde de ontem, a Secretaria Municipal da Fazenda tinha em caixa R$ 1 milhão para as despesas do mês de dezembro, incluindo o 13º salário do funcionalismo. Só a folha de pagamento normal é de cerca de R$ 4,6 milhões. Preocupado com a situação, o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv), Gláudio Renato de Lima, esteve reunido ontem de manhã com o chefe de gabinete da Prefeitura, Agnaldo Kupper, e o secretário municipal de Recursos Humanos, Carlos Hirata.
O Município possui aproximadamente seis mil servidores. Gláudio de Lima acredita que, com o dinheiro que a Prefeitura tem em caixa, cada funcionário deverá receber pouco mais de R$ 100,00, referentes ao 13º salário. Ele diz que a situação dos servidores é ‘‘desesperadora’’. ‘‘Existem muitos casais que trabalham na Prefeitura e, nestes casos, eles não vão receber nada. A situação deles é pior ainda.’’
Para tentar minimizar a situação, Gláudio de Lima diz ter pedido ao chefe de gabinete que a Prefeitura libere cestas básicas para todos os servidores, independente da faixa salarial. O presidente do Sindserv lembra que a Prefeitura já atrasou o pagamento do salário cinco vezes neste ano. Devido a dificuldades financeiras, o prefeito Luiz Eduardo Cheida admitiu, na semana passada, que o pagamento do salário iria atrasar, mas garantiu que o 13º salário sairia.
O secretário da Fazenda, Erasmo Garanhão, diz que todo o dinheiro que entra em caixa está sendo retido para ser destinado à folha de pagamento. ‘‘Não estamos pagando ninguém, nem as empreiteiras.’’ Ele relata que ainda não ficou decidido se os recursos arrecadados serão utilizados para o pagamento de dezembro ou do 13º salário.
Segundo Erasmo Garanhão, também não ficou definido se o pagamento será diferenciado, conforme a faixa salarial dos funcionários. ‘‘A filosofia é de sempre pagar os que ganham menos.’’ Sobre a possibilidade de serem distribuídas cestas básicas aos servidores, ele disse que o assunto está sendo estudado.
Na opinião do secretário, pode haver condições de pagar os servidores públicos ainda neste ano. Ele diz que isso está dependendo, basicamente, da venda das ações da Sercomtel S/A Telecomunicações - a venda está paralisada por uma ação popular que corre na Justiça. ‘‘Não há mais prazo para a Prefeitura fazer empréstimos.’’
Erasmo Garanhão reconhece ser desgastante e entristecedor deixar a Prefeitura sem pagar o 13º salário e o pagamento de dezembro do funcionalismo. Mas ressalta que metade das prefeituras brasileiras está em situação financeira pior que a de Londrina. ‘‘Não estamos fora da realidade.’’

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