O medo é a primeira coisa que entra na vida de quem passa por algum tipo de experiência violenta. Na casa de Iraci Moers, em Rolândia, janelas grandes segundo ela, para ter uma visão melhor do exterior e fortemente gradeadas são os sinais mais visíveis do sentimento de insegurança com que convive diariamente.
''Antes eu trabalhava com contabilidade, hoje perdi a concentração para fazer contas. A vida era leve, agora sei dos riscos que corro quando saio de casa. Também não consigo mais planejar minha vida'', relata.
Creuza Souza Rodrigues ainda está em estado de choque. Se emociona muito quando lembra da filha e está apreensiva quanto ao futuro das netas. ''Tô em pé cuidando das meninas porque Deus dá forças'', afirma.
Se a punição dos culpados não traz de volta quem se foi, pelo menos alivia a angústia, acredita Iraci. ''Pelo menos eu teria algumas respostas'', diz. Creuza reforça: ''Só queria saber por que fizeram isso com minha filha''.

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