Apenas quatro cidadãos comuns possuem porte de arma de fogo no Paraná, atualmente. A informação é da delegacia regional da Polícia Federal (PF), em Curitiba. O número parece ainda mais ínfimo quando se sabe que até dezembro de 2003, antes do Estatuto do Desarmamento entrar em vigor, havia 1,2 mil autorizações de porte no Estado, de acordo com o Departamento de Armas e Munições (Deam) da Polícia Civil. Todas perderam a validade com a nova lei.
A conta exclui policiais e profissionais do setor de segurança e vigilância. O seleto grupo de portadores de armas é formado por quatro pessoas que, em tese, comprovaram a extrema necessidade de andar armado e atenderam às inúmeras exigências impostas pelo estatuto. A PF diz que não tem autorização para informar a profissão ou origem desses cidadãos.
Nenhum deles é de Londrina, segundo apuração feita junto à delegacia local da PF. O setor de armas do órgão informou que, desde que o porte passou a ser federal, nenhum pedido foi aprovado na cidade. O desalento dos comerciantes que trabalham com a venda de armas e munição em Londrina confirma essa realidade. Uma das maiores lojas do ramo não vende nenhuma arma há mais de um ano. Outra está fechando as portas, com o estoque de armas e acessórios quase intacto nos últimos meses. Além das restrições ao comércio de armas, há dez dias o governo federal endureceu as regras também para a venda de munição (leia texto nessa página).
''Atribuo a queda nas vendas ao Estatuto e à Campanha do Desarmamento, que mostra apenas um lado da realidade. A mídia só fala da criança que morreu porque pegou a arma do pai, não mostra que a pessoa que compra a arma no comércio legal para se proteger passa por testes e exigências rigorosas'', afirma Mário César Radigonda, 35, proprietário da Caça, Pesca e Cia, que se prepara para fechar a loja. Para ele, a pressão contra o comércio formal de armas incentiva o mercado clandestino. ''É pura politicagem.''
Comerciante de armas em Londrina há mais de três décadas, Nilton de Paula, 46, não vendeu nenhuma unidade desde que o estatuto passou a vigorar. Antes, chegava a comercializar de 5 a 10 armas de fogo por mês. ''A tendência é eu parar de mexer com armas, não compensa mais. Não estamos vendendo mais munição também, porque para comprar os cartuchos o cliente precisa apresentar registro de arma'', ressalta.
Nilton de Paula explica que os últimos pedidos de registro encaminhados pela loja à polícia foram feitos no final de 2003 e só foram aprovados agora. Com relação aos portes de arma, o comerciante confirma que nenhum foi deferido. Ele diz que está torcendo para que a campanha do desarmamento diminua a violência, mas que tem dúvidas sobre esses resultados. ''Não é a arma legal que incentiva a criminalidade. Em mais de 30 anos, não vi ninguém que comprou uma arma na minha loja cometer um crime. Os bandidos não estão perdendo suas armas'', opina.
O chefe de Comunicação Social da PF do Paraná, Altair Menosso da Costa, sustenta que o objetivo do Estatuto do Desarmamento era justamente o de reduzir o porte de armas para evitar o mau uso. ''Mas isso não quer dizer que é uma proibição geral. As pessoas que comprovarem realmente necessitar de uma arma, terão o porte autorizado.''

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