Só Justiça poderá desocupar área de patrimônio histórico
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sexta-feira, 02 de junho de 2000
Betânia Rodrigues De Londrina Especial para a Folha 
A Secretaria Municipal da Administração de Londrina precisará recorrer à Justiça para impedir a ocupação de área na Usina Três Bocas, que vem sendo cultivada ilegalmente por oito famílias. De acordo com o subcomandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, Manoel Cruz Neto, não há como expulsá-las da área porque elas não estão instaladas ali. São famílias da região sul da cidade que há um mês e meio foram despejadas e retornaram mesmo sabendo que a área é uma reserva de preservação permanente, tombada pelo Patrimônio Histórico Municipal.
A Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) iniciou esta semana a obra que vai transformar a usina num Parque Ecológico destinado ao lazer e turismo. Segundo o diretor técnico da AMA, Flávio Henrique da Rosa Uren, a intenção é fazer o reflorestamento da usina com plantas ornamentais e frutíferas, melhorar o acesso viário ao local e usá-la na educação ambiental.
A expectativa é inaugurar o parque até o final do ano com o nome de Dr. Daisaku Ikeda. Para isso, a organização não-governamental (ONG) Brasil Soka Gakkai Internacional vai investir, no mínimo, R$ 280 mil. A prefeitura vai colaborar com o empréstimo das máquinas e apoio técnico.
Da última vez que ocuparam a área mostramos que era um ato ilegal e que não podiam continuar lá. Para ajudá-los encontramos três vagas de trabalho numa empresa de adubos na região, mas parece que nenhum deles se interessou. Este problema só será resolvido quando a usina tiver um fim específico, disse o secretário municipal da Administração, José Araides Fernandes.
A Usina Três Bocas foi a primeira hidrelétrica da cidade e há cerca de três anos foi tombada como patrimônio histórico municipal.


