Só há livre expressão em 34% dos países
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de novembro de 1997
Curitiba 
Marcelo AlmeidaDemocraciaSirotsky: A globalização é uma oportunidade de liberar a informação de um injusto controle estatalApenas 21% dos habitantes do planeta Terra estão usufruindo da liberdade de expressão e direito à informação. Este dado surpreendente foi apresentado pelo presidente da Associação Mundial de Jornais, o gaúcho Jayme Sirotsky, diretor do grupo RBS, durante o encerramento do Seminário O Poder do Jornal, que reuniu vários jornalistas na quarta e quinta-feira, em Curitiba, e contou com o apoio da Folha.
A pesquisa foi feita pela organização não-governamental Freedom House, que descobriu que em apenas 64 países há liberdade de expressão. Isso representa apenas 34% dos países do mundo, ou seja, em apenas um terço do planeta há democracia. Por outro lado, em quase o mesmo número de países, 62, mas que representam 42% da população do planeta, não existe liberdade de expressão. A liberdade parcial de expressão está presente em 61 países.
Sirotsky citou ainda outra ONG, a Transparência Internacional, com sede na Alemanha, que atua em 70 países e tem como objetivo o combate à corrupção. Há um sólido vínculo entre a imprensa livre e seu nível de corrupção. A corrupção move-se num clima de sigilo. As melhores condições para alguém pagar suborno ou extorquir são aquelas em que a mídia falha ou é incapaz de se transformar no guardião do interesse público. A ONG Transparência Internacional considera a mídia e os jornais em particular como seus mais fortes aliados na luta contra a corrupção, afirmou.
Globalização - Para Jayme Sirotsky, a globalização, que além da economia atinge também a informação, é uma grande oportunidade de se combater o controle da informação. É uma oportunidade de superar importantes obstáculos culturais e políticos, de aplainar as sangrentas diferenças informativas entre países pobres e ricos, de liberar a informação de um injusto controle estatal.
O presidente da Associação Mundial de Jornais afirma que a globalização da informação permite também uma saída da massificação. A globalização incentiva a passagem de uma informação massiva e em série para uma produção mais flexível, mais diferenciada, de produtos dirigidos a nichos de mercados específicos.
Ética- Por outro lado, lembra o jornalista que, à medida em que o mundo se faz menor, se faz moralmente mais próximo. Lembrou ainda que o grito de Tertuliano poderia servir de lema para a globalização: O mundo inteiro é a nossa pátria, mas o mais correto hoje seria dizer: o mundo inteiro é a pátria da informação. Por isso, a globalização traz enormes compromissos éticos. É necessário também, segundo ele, uma globalização da ética e da responsabilidade social dos operadores de comunicação.
Temos que lutar para a primazia do homem sobre a técnica, lutar para dar vida a uma cidadania verdadeiramente planetária. Uma sociedade informativa globalizada tem que contemplar o homem como protagonista maior da cultura e da história, conclui.


