Só este ano, dois presos morreram em distritos
Só este ano, dois
presos morreram
em distritos
A visita a presídios e distritos do Estado é um dos trabalhos da Pastoral Carcerária, entidade ligada à Igreja Católica. Na semana que vem, um documento detalhando as condições dos presos nos distritos e delegacias deverá ser divulgado para a imprensa e entregue à Justiça. O documento relata um total desrespeito aos direitos constitucionais garantidos aos presos.
Nos distritos e delegacias, os detentos não têm condições de ter audiências sigilosas com advogados, não podem receber a família em locais reservados, não tomam sol e recebem alimentação insuficiente ou estragada. Encontramos presos que há mais de dois anos não viam o sol, diz Luiz do Nascimento Lima, agente da Pastoral Carcerária.
O relatório mostra ainda que os presos tomam banhos gelados, não têm condições de higiene e, às vezes, são submetidos a sessões de tortura. Alguns distritos ainda conservam o pau-de-arara para disciplinar os presos, conta ele. Somente este ano, dois presos morreram em distritos de Curitiba por problemas estruturais. Um deles, de acordo com o relatório, no 11º Distrito, vítima de intoxicação alimentar. O outro, no 7º Distrito, por problemas graves de saúde. A situação é crítica e temos que fazer algo de forma urgente, salienta.
O deputado estadual Edson Praczyk (PL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa e pastor da Igreja Universal, também visita mensalmente presídios e distritos da Grande Curitiba. De acordo com ele, existe um completo desrespeito aos direitos humanos nas cadeias públicas. Desrespeito que pode ser agravado com a falta de caráter de alguns delegados e policiais. Nem todas as doações de alimentos e roupas feitas pela comunidade são destinadas aos presos, acusa ele.
Para o deputado, os presos acabam articulando fugas por viverem em condições primitivas dentro das delegacias e distritos. Entre os exemplos citados por ele como desumanos está o do 10º Distrito Policial.(L.P.)





