Só a devoção não evita acidentes
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quarta-feira, 25 de julho de 2001
Telma Elorza De Londrina 
A maioria dos motoristas tem símbolos religiosos em seus carros e caminhões. Os católitos usam a imagem de São Cristóvão como talismã. A devoção é boa, mas sozinha não adianta. Também é preciso respeitar as regras de trânsito - afirma o padre caminhoneiro Pedro Jordá, que por sete anos integrou a Pastoral Rodoviária, viajando por todo o Brasil e vivendo nas estradas.
Hoje o padre está radicado em Londrina e diz que é comum as pessoas pedirem a São Cristóvão, padroeiro dos motoristas, para se livrar das multas e ser perdoado de pecados, mas ele lembra que isso não basta para evitar acidentes. Na hora da necessidade rogamos a Deus. Só que esquecemos Dele quando somos tentados a passar o sinal vermelho, a exceder a velocidade, argumenta.
Segundo o livro O Santo do Dia (Editora Vozes), de autoria de Dom Servilio Conti, São Cristóvão é cultuado na Igreja Oriental e Romana desde os tempos remotos, e existem muitas igrejas, patronatos, abrigos e irmandades dedicadas a ele. Segundo o livro, há numerosas tradições e lendas ligadas a Cristóvão. Porém, pouca coisa de concreto se sabe sobre o santo, nem mesmo seu verdadeiro nome. Uma das crendices mais aceitas diz que ele teria sido martirizado por ordem do imperador Décio, por volta do ano 250 d.C., por causa de seu trabalho apostólico na região da Lícia.
O livro registra a lenda de um homem extraordinariamente alto e com força hercúlea, que seria natural da Palestina. Como a carreira comum para os homens fortes era a militar, Cristóvão teria colocado sua força a serviço do senhor mais poderoso, mudando de amo várias vezes. A lenda diz que teria servido até ao demônio, mas percebendo que este teria medo da cruz, ficou sabendo que Cristo era o mais poderoso dos soberanos. Procurou então instruir-se sobre a religião para colocar-se a serviço deste Senhor.
Cristóvão teria descoberto então que um dos caminhos para servir a Deus era praticar a caridade. Um ermitão teria indicado ao soldado como pôr em prática a caridade: ajudar os outros a atravessar um rio sem ponte que punha em risco muitas vidas. Com sua força e altura, pôs-se a transportar as pessoas de um lado a outro do rio. E teria carregado até o próprio Cristo, por isso mudou seu nome para Cristóvão, o portador de Cristo.
Em Londrina, a tradicional bênção dos veículos pelo dia de São Cristóvão será realizada no domingo, às 9 horas, em duas paróquias: a de Nossa Senhora da Glória, na Rua Togo, Parque Ouro Verde (zona norte), comandanda pelo padre Jordá; e a de Nossa Senhora da Boa Viagem, na Rua Serra da Esperança, Jardim Bandeirantes (zona oeste).


