Só 20% dos obesos fazem operação
José SuassunaO gastroenterologista João Marchesini diz que cirurgia é a última alternativa para os gordosA cirurgia de redução do estômago não é mais um método milagroso de emagrecimento. Por isso mesmo é que apenas 20% dos que procuram os médicos acabam se submetendo ao procedimento. Primeiro, porque a operação só é realizada em obesos mórbidos, ou seja, quem tem índice de massa corporal (ICM) acima de 40 kg/m2, ou em quem tem índice acima de 35 kg/m2, mas que apresente doenças decorrentes da obesidade. Para calcular o ICM é fácil, basta dividir o peso pela altura ao quadrado.
‘‘Essa é uma cirurgia voltada principalmente para a saúde. A estética é o último objetivo’’, diz o cirurgião responsável pela equipe do Hospital Cajuru, o gastroenterologista Alcides José Branco Filho. João Baptista Marchesini, que atua no HC lembra ainda que as pessoas que se submetem à cirurgia de redução do estômago normalmente já passaram por todo tipo de dieta, sem resultados, e que esta é a última tentativa para acabar com a obesidade.
Assim, a cirurgia é recomendada, principalmente para evitar problemas de saúde que incidem com maior frequência nos grandes obesos, como os problemas cardíacos, hipertensão arterial, diabetes, hiperlipemias (gordura no sangue), arteriosclerose, derrames, varizes, tromboses venosas, hembolia pulmonar, doenças osteo-articulares, entre outras. Segundo Marchesini, ‘‘riscos na cirurgia sempre existem, principalmente por se tratar de um indivíduo propenso a problemas, mas o risco de ele continuar gordo e ter uma doença é muito maior’’. O obeso mórbido tem dez vezes mais risco de morrer em relação ao indivíduo normal e sua expectativa de vida diminui em 20% do que seria o tempo que viveria se fosse dotado de peso normal.
Também não podem ser operados pacientes com distúrbios psicóticos graves, com risco anestésico ou com doenças associadas de alto risco. Por isso, todo o processo cirúrgico é sempre feito em conjunto por uma equipe multidisciplinar, composta de nutricionista, psicólogo, endocrinologista, fisioterapeuta, cardiologista, além do cirurgião, anestesista e enfermeiros. Só após a avaliação do psicólogo e médicos é que a cirurgia será recomendada ou não. É comum o obeso sofrer de depressão, ter transtornos compulsivos periódicos ou, ainda, ser um paciente limítrofe de psicoses, segundo Marchesini. ‘‘Temos que tratar tudo junto para operar’’, diz.(M.G.)

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