Só 10% dos jovens carentes são assistidos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de maio de 2002
Ana Paula Nascimento Reportagem Local 
Londrina convive com uma trágica estatística. A Folha tem noticiado índices alarmantes de assassinatos de menores de 21 anos. Desde o início do ano, 19 adolescentes foram mortos, representando quase 40% dos homicídios no município. O problema não é novo, mas tem se agravado. Com mais de 40 mil jovens de 7 a 18 anos vivendo em situação grave de pobreza (com renda familiar que não ultrapassa dois salários mínimos, segundo estimativa de 1999 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística o IBGE), o desafio não é pequeno.
Somando os projetos municipais de assistência, o atendimento dado pelo Poder Público e entidades sem fins lucrativos a este segmento da população não contempla mais de quatro mil jovens. A conta sobe um pouco considerando os jovens e adolescentes beneficiados pela bolsa-escola federal (são 12.700 famílias cadastradas) e municipal (450 famílias cadastradas; até junho, espera-se que o cadastro chegue a 1.300). Nos assentamentos, favelas e ocupações, a miséria atinge 85.860 pessoas.
A Secretaria de Ação Social informa que um estudo mais específico sobre o seu público alvo está sendo preparado. A secretária de Ação Social, Maria Luiza Rizotti, acredita que a maioria dos jovens provenientes de famílias com renda de meio e um quarto de salário está sendo atendida. Atualmente, a prefeitura direciona 6% do seu orçamento para a Ação Social. São recursos da ordem de R$ 12 milhões.
Desse total, cerca de R$ 10,3 milhões vão para a manutenção dos serviços da Ação Social 49% desse valor financia a gerência de crianças e adolescentes e o restante se destina à gerência de família e comunidade (incluindo atendimento a idosos e portadores de deficiência física). A União investe R$ 1,1 milhão no município ao ano para apoiar jovens e adolescentes carentes. O governo do Estado tem participação quase nula nos projetos nesta área: contribui com 200 cestas básicas para o programa da Rua Para a Escola. Este mês, as cestas chegaram com quatro meses de atraso.
O investimento estadual é muito pequeno e há quatro anos brigamos pelo aumento da sua participação, mas a explicação de sempre é que há outras prioridades, comenta a vereadora Márcia Lopes (PT), no final da sua segunda gestão como conselheira estadual da criança e do adolescente. Secretária de Ação Social de 1993 a 1996, ela diz que, em sua primeira gestão, havia um maior controle da situação.
Hoje há 60 assentamentos, favelas e ocupações na cidade e o Poder Público e civil já perderam o controle. Ou há uma mudança na estrutural nacional, ou vamos ter um futuro ainda mais temeroso, alerta. Em sua opinião, o problema das drogas é um dos mais difíceis de se controlar. A nossa polícia não está preparada física, psicológica e materialmente para isso, afirma.


