A Secretaria Municipal de Urbanismo de Curitiba vai abrir sindicância para apurar denúncias de que dois fiscais do órgão teriam participado irregularmente de uma operação policial de repressão a contrabando, no último domingo, acompanhando dois agentes da 1ª Delegacia de Furtos e Roubos. A denúncia foi feita por vendedores ambulantes. Eles acusam os fiscais Valmir Carmo da Silva e Mohamed Abdin de terem furtado várias sacolas com mercadoria comprada no Paraguai, principalmente cigarros.
O caso chegou ao conhecimento da secretaria através de uma denúncia anônima. Dois vendedores ambulantes confirmaram a história para a Folha, ontem. Dirlei de Jesus Araújo, de 31 anos, diz que estava no ônibus no momento da abordagem. Segundo ele, o ônibus parou em frente a uma casa na Vila Verde, Cidade Industrial de Curitiba, quando o grupo chegou, ocupando um Gol e uma Parati, ambos brancos.
Araújo diz que imediatamente reconheceu um dos fiscais. ‘‘Eles levaram sacolas de todo mundo. Só eu perdi R$ 1,5 mil em cigarros’’, diz outro ambulante, que prefere não ser identificado. Segundo ele, os fiscais não lavraram o termo de apreensão, como mandam as normas legais.
A mercadoria que os ambulantes dizem ter sido apreendida não apareceu na Secretaria Municipal de Urbanismo. Segundo o secretário Carlos Alberto de Carvalho, os fiscais afirmaram que foram convidados pelos policiais a participar da busca, que seria motivada por uma denúncia de que havia drogas no ônibus. Mas Silva e Abdin garantiram que não recolheram qualquer mercadoria.
Mesmo assim, eles agiram irregularmente porque estavam fora do horário de trabalho e não têm autorização para apreender material contrabandeado no interior de veículos, residências ou estabelecimentos comerciais. ‘‘O fato é grave, porque a ação fiscalizatória da secretaria limita-se ao controle do comércio ambulante nas ruas’’, disse Carvalho.
Segundo ele, os dois fiscais já receberam advertência por escrito, que será anotada em suas fichas funcionais, e responderão a sindicância administrativa. O caso ainda precisa ser explicado também pela Polícia Civil. Ontem o delegado Ézio Vicente da Silva, da 1ª Delegacia de Furtos e Roubos, disse que não sabia de qualquer operação de repressão a contrabando ou tráfico de drogas feita por agentes da especializada. ‘‘Às vezes há pedidos para que a polícia dê cobertura a ações desse tipo, mas só amanhã (hoje) vamos averiguar o que aconteceu’’, afirmou.

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