Ideia na cabeça, união e muito trabalho: esta foi a receita dos skatistas do grupo Big Oh para revitalizar a antiga quadra de vôlei do Zerão, que ontem serviu de palco para o I Campeonato de Street Skate Big Oh, o qual reuniu mais de cem atletas de Londrina e região durante todo o dia.
Rifar peças e camisetas de skate foi a saída que o skatista amador Wagner Ruth encontrou para reformar o espaço, que já vinha sendo usado pela turma há mais de dez anos. Com os cerca de R$ 350 arrecadados, eles pintaram o chão e construíram alguns obstáculos de concreto. ''Os próprios meninos pintaram a quadra e bateram massa para montar os obstáculos'', descreveu Ruth, contando que o trabalho durou cerca de duas semanas e envolveu dez skatistas.
Ele lembra que desde 1995 o grupo dividia espaço com o voleibol, manobrando nas laterais da quadra. ''Jogadores de vôlei decidiram usar a quadra de areia do Igapó II e tive a idéia de revitalizar o espaço para uso do skate. Convoquei a rapaziada e avisei que, como iríamos gastar muito, teria que ser de uma vez só'', comentou o skatista, cansado de manobrar em obstáculos de madeira improvisados.
Mas o dinheiro arrecadado na rifa só foi suficiente para colocar em prática parte da ideia do grupo, que realizou o campeonato ontem para pagar pelo restante das melhorias, que incluem novo alambrado, lixeiras e mais obstáculos e já têm aprovação da Prefeitura. ''Pelo menos 150 atletas competem nas categorias iniciante, amador II e amador I, conforme a idade e a experiência no skate, e três juizes profissionais de Londrina avaliam o desempenho dos meninos'', explicou Ruth, reforçando que os dez melhores de cada categoria ganhariam materiais de skate.
No final da tarde, a competição terminaria com a categoria best trick, que decide quem fez a melhor manobra do dia, e um show de rock instrumental. ''Londrina tem bastante atleta com potencial, mas o incentivo é pouco. Maioria viaja e é reconhecida fora da cidade, ao mesmo tempo que o município valoriza quem é de fora'', avaliou Wagner Ruth, para quem o esporte está ''evoluindo'': ''Skate está entrando no meio social e a federação nacional está até tentando encaixá-lo como esporte olímpico'', completou.

História
- Nascido num período de seca em terras norte-americanas, quando piscinas vazias serviram de palco para que surfistas dos anos 1970 criassem manobras radicais sobre rodinhas acopladas a pequenas tábuas, o skate é hoje o segundo esporte mais praticado no mundo depois do futebol.
Conforme o skatista Marcos Silveira, o Soninho, profissional há 15 anos, o esporte evoluiu e atualmente é a modalidade street, ''mais técnica'', que domina as ruas. ''Já o skate vertical é mais interessante para o público, pois as manobras são mais voadoras'', comparou.
Para Soninho, skatistas brasileiros já alcançaram patamares dos norte-americanos, criadores do esporte, e hoje competem de igual para igual também com europeus. ''Boom do skate no Brasil foi nos anos 90, quando as primeiras revistas especializadas chegaram e a galera começou a imitar os americanos.''
Ele cita que Londrina teve a primeira associação de skate regulamentada do País, a Associação de Skate de Londrina (ASKL), que promove campeonatos pela cidade, no intuito de confraternizar as diferentes tribos do skate do município e da região. Conforme Wagner Ruth, que manobra há 12 anos, além da pista revitalizada do Zerão, os cerca de 2,3 mil skatistas londrinenses contam apenas com a pista do Centro Social Urbano da Vila Portuguesa, também na Região Central, mas não têm um calendário oficial de competições.
''Para o ano que vem, a Big Oh quer criar um circuito, que contará com quatro etapas, realizadas a cada três meses'', informou Ruth.

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