O presidente do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde, Antonio Carlos Nardi, faz uma análise não muito otimista sobre a atenção que se dá à saúde mental no Brasil. Ele considera que ''a situação é extremamente grave'' e está chegando a um ponto ''insustentável'', porque os hospitais psiquiátricos ''estão sobrecarregados''.
Nardi, que é secretário de Saúde de Maringá, diz que o problema tende a se agravar ainda mais porque está aumentando a procura para tratamento de alcoólatras e drogados nos respectivos hospitais. Segundo ele, a dependência química atinge pessoas de quase todas as idades, raças e classes sociais, sem distinção, e afeta de modo especial os pequenos municípios que não dispõem de nenhuma estrutura para atender a esta demanda específica.
''Temos que solicitar que os municípios com arrecadação maior façam um aporte para absorver em seus municípios alguns serviços de média complexidade para que todo paciente que surja nessas cidades não precisem ser internados e não sobrecarreguem ainda mais os serviços hospitalares''.
O presidente do conselho reclama também da diária paga aos hospitais psiquiátricos: R$ 42. Este montante é destinado a suprir cinco refeições por dia, além de roupas, atendimento médico, psiquiátrico, psicológico, terapia ocupacional e remédios. Pelos cálculos da Fundação Getúlio Vargas, a diária deveria ser de R$ 98.
Nardi avalia que a questão da saúde mental não deve ser tratada apenas como um problema da área de saúde e sim como um problema social, e que deve merecer atenção não apenas do poder público como também da classe empresarial. ''Se não houver uma somatória de esforços para resolver o problema, daqui a pouco, não vamos ter nem o hospital para absorver o doente mental, o drogado e o alcoóltra em estado grave'', sentencia. (E.A.)

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