Edson MazzettoRecuperaçãoMoradores aproveitaram o dia de sol para fazer conserto das casas destelhadas durante o temporalUm dia de pleno sol, ontem, permitiu a moradores de Cascavel, no oeste do Estado, a recuperação da maioria das casas que tiveram telhados atingidos pelo vendaval e chuva de granizo na madrugada de sexta-feira. Poucas moradias foram destruídas, e a maioria delas eram de construção frágil ou barracos em favelas.
Os estragos foram muito inferiores aos de outubro de 95, quando outro vendaval atingiu a cidade. Embora os ventos tenham chegado a 125 quilômetros por hora (típicos de furacão), eles foram em rajadas, e não contínuos (que poderiam provocar grande destruição), e além disto atingiram áreas bastante esparsas da cidade.
Os maiores prejuízos são em instalações comerciais e prédios públicos, principalmente escolas, postos de saúde e creches, por terem telhados longos e de cimento amianto, que quebra com mais facilidade que telhas de barro. Muitas escolas não terão aulas no início da semana, quando deverão ser completados os reparos.
O comandante do 6º Batalhão de Polícia Militar, major Pedro Foltran, disse ontem pela manhã que ‘‘a situação está sob controle’’. Ele deve encaminhar amanhã à Defesa Civil do Paraná o relatório definitivo do cadastramento de edificações atingidas. O governador Jaime Lerner (PFL) telefonou ao prefeito Salazar Barreiros (PPB), na sexta-feira, prometendo auxílio.
Os maiores prejuízos ocorreram em barracões de empresas, mas quase todas têm seguro. Há necessidade de auxílio à quatrocentas famílias, que tiveram casas parcial ou totalmente destelhadas. Quarenta famílias que moram em favelas receberam lona plástica para recompor os barracos. Apenas uma mulher sofreu ferimentos leves na perna, durante o vendaval.
Uma das entidades comunitárias mais atingidas pelo vendaval foi o Abrigo São Vicente de Paulo, no bairro Maria Luiza (zona sul), que teve o telhado de seus três blocos de alojamentos arrancado. Cinquenta idosos foram levados para um salão e quinze deles posteriormente para casas de famílias. Segundo a irmã Terezinha Zancanaro, os reparos não estarão completados antes de um mês.
Os serviços telefônicos, de água e energia elétrica, foram completamente restabelecidos ontem. Oitenta postes de energia foram derrubados, a maior parte porque árvores caíram sobre a fiação. No Parque ecológico, caíram dois pinheiros com idade estimada em duzentos anos, da pequena área de reserva existente.
Segundo relatório divulgado ontem pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, a forte tempestade causou a seguinte situação no Sudoeste. Em Ampére: houve quatro vítimas com ferimentos leves, 14 barracões e 45 casas destelhadas. Em Salto do Lontra, 400 casas ficaram destelhadas e 80% cultura de feijão e 30% da cultura de milho foram atingidas.
Em Cascavel, 189 casas, 11 postos de saúde e o asilo São Vicente ficaram destelhados. Em Pinhal de São Bento 8 casas foram destelhadas e em Foz do Iguaçu, 6 casas.

mockup