Situação quer aumentar efetivo policial
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quarta-feira, 24 de março de 1999
Paulo Ubiratan 
A chapa Renovação quer reformular as atividades do Sindicato da Polícia Civil de Londrina (Sindipol), prometendo torná-lo um instrumento de luta para as conquistas da categoria. A proposta é do investigador Antônio Carlos Ramos Pereira, presidente da chapa, que concorre à eleição para a nova diretoria do Sindipol, marcada para o dia 29 de março. Vamos lutar em diversas frentes, sem baixar a cabeça para ninguém. Vamos priorizar o que é mais urgente para dar mais segurança à comunidade. É nossa obrigação lutar por isto, afirmou. Ele disse que primeiramente reivindicará o aumento de pessoal (investigadores e escrivães) e melhores condições de trabalho para os policiais.
Temos que reverter o quadro de que a Polícia Civil não trabalha por culpa de seus componentes. Não entendemos os motivos, mas não existe a preocupação, de quem de direito, de explicar para a sociedade a verdadeira situação da nossa corporação. Principalmente de Londrina e região que, por falta de infra-estrutura, não nos permite desenvolver um bom trabalho, desabafa Antonio Pereira.
A Renovação representa a situação e disputa a direção do Sindipol com a chapa Policial Unido Jamais Será Vencido, encabeçada pela investigadora Tânia Aparecida de Oliveira, que ontem falou à Folha sobre as suas propostas. A eleição abrange 53 municípios das subdivisões policiais de Apucarana, Cornélio Procópio e Londrina.
Para trabalhar precisamos comprar a munição, algemas e pagar a conta do telefone celular que usamos nas investigações. Nossa armas (revólver calibre 38) são obsoletas em relação às usadas pelo bandidos. Vamos propor que o Estado compre armas mais modernas, diz. Ele acrescenta: Não pedimos o impossível, apenas o mínimo necessário para trabalharmos. Por exemplo: sermos avaliados psicologicamente e testarmos nossa pontaria, pois somente quando cursamos a Escola de Polícia é que praticamos tiro ao alvo.
Ele também criticou os coletes à prova de bala recentemente comprados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado. São desajeitados, impossíveis de serem usados por baixo da roupa e suscetíveis a tiros disparados por armas pesadas. Ele chamou a atenção que em missões reservadas os coletes não podem ser usados, pois são caracterizados com os dísticos e o símbolo da Polícia Civil.
Sobre aumento de policiais, ele enfatizou que apenas seis equipes operacionais da 10ª Subdivisão Policial - compostas por 12 investigadores - são responsáveis para investigar todos os crimes em Londrina. Antônio Carlos ressaltou que os investigadores lotados nos distritos policiais estão cuidando de presos e a maioria dos crimes ocorridos na periferia da cidade também são investigados por eles. O mais grave de suas denúncias é que dificilmente uma investigação é completada, pois sempre surgem outras mais emergentes e as anteriores vão ficando para trás. Trabalhamos somente emergencialmente, em casos de crimes com autor conhecido. Quanto aos crimes com autores desconhecidos, a maioria não é concluída porque nenhuma das equipes operacionais tem possibilidade de trabalhar com dedicação exclusiva nos casos, comentou.
O candidato disse que há uma desproporção muito grande em relação ao número de funcionários na Polícia Civil da região e os agentes que tomam conta dos presos na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Em relação somente a Londrina observamos que existem apenas 12 policiais para trabalhar para uma população de quase 500 mil habitantes e para cuidar de 360 presos na PEL existe por volta de 60 agentes penitenciários. Apesar de serem trabalhos diferenciados, não podemos concordar com esta desproporção.
Outra proposta de Antônio Carlos é a melhora de salários dos policiais, a reciclagem profissional e cobrança das horas extras quando a carga de trabalho ultrapassar as 44 horas semanais. Vamos lutar para uma política salarial mais justa e equitativa. É um disparate um delegado no início de carreira ganhar 85% a mais do que um investigador e um escrivão com mais de cinco anos de trabalho. Parece mentira, mas é verdade. Com mais justiça salarial, garanto que vamos moralizar e acabar com a corrupção na categoria.
O candidato a presidente do Sindipol é formado em História e cursa o 2º ano de Direito na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele trabalha há 15 anos na Polícia Civil.


