A construção do novo complexo do curso de Odontologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) está andando em ritmo lento. O primeiro bloco, que vai receber a Clínica de Odontologia Universitária (COU), tem previsão de entrega para o começo de 2018. Os outros dois blocos do complexo não têm previsão, pois não há recursos alocados para a obra.
Enquanto a clínica não muda para o campus da UEL, pacientes, estudantes e professores convivem com uma estrutura em situação precária. A COU, assim como toda a estrutura da Faculdade de Odontologia, funciona no centro, em um prédio com mais de 50 anos. Inicialmente, o prédio foi ocupado pelos cursos de Filosofia e Direito e depois cedeu espaço para a Odontologia. "É uma estrutura antiga e inadequada. Uma colcha de retalhos", enfatiza José Roberto Pinto, diretor da COU.
Há cerca de dois anos, o teto de um dos ambulatórios desabou durante um temporal. "Toda vez que chove ficamos em alerta. Mudamos o nosso almoxarifado de lugar por medo que, durante uma chuva, o local alague e a gente perca os suprimentos", diz.
Em média, circulam 500 pessoas por dia pelo prédio, entre pacientes, professores, alunos e funcionários. No local, além das salas de aulas e laboratórios do curso de Odontologia, funcionam três grandes ambulatórios de atendimento à população: Centro de Especialidade de Odontologia (CEO), que atende média e alta complexidade, consultório do curso de pós-graduação de Ortodontia e Pronto-Socorro 24 horas. Anualmente, são atendidas em torno de 95 mil pessoas e a previsão é de um incremento de 80% no atendimento com a mudança para a nova clínica.
Como as atividades do curso de Odontologia são realizadas no centro da cidade, os estudantes se sentem isolados da estrutura universitária e reclamam da atual infraestrutura física, princialmente do barulho que vem do Colégio de Aplicação da UEL. A COU divide espaço com o colégio.
A estudante do 5º ano, Isabella Neme conta que que já houve dias em que o professor cancelou a aula por causa do ruído. "Não tinha condições de dar aula. Ontem (terça-feira), por exemplo, soltaram uma bombinha no pátio do colégio e levamos um susto aqui."
Ela e a colega Juliane da Costa também reclamam do calor nos ambulatórios. Um dos condicionadores de ar do ambulatório do 5º ano queimou e alunos e pacientes sofrem com o calor. "Os pacientes da geriatria são os que mais sofrem com esse calor. Assim como nós, que estamos de jaleco, luva e máscara", comenta Juliane. A direção da clínica estava providenciando um ventilador para amenizar o calor, enquanto aguarda o conserto do aparelho.
As estudantes também se queixam de não poderem utilizar os benefícios oferecidos pela universidade como o Restaurante Universitário, por estarem longe do campus universitário.

MANUTENÇÃO
O ambulatório do 5º ano é a maior preocupação da direção. É o que tem maior movimento, pois os alunos têm mais conteúdo prático do que teórico e foi a área atingida pelo desabamento. O aposentado Diones Facião, de 73 anos, estava na clínica no dia que o teto caiu e recorda do susto que levou. "Eu estava lá no ambulatório sendo atendido, de repente caiu tudo e saímos correndo. Ainda bem que foi só um susto", contou.
Ele frequenta a clínica há três anos. O aposentado elogia o atendimento e critica a estrutura física. "O atendimento é bom. A estrutura é uma porcaria. Está planejado uma clínica nova, mas vai saber quando vai ficar pronta, né?", aponta.
De acordo com o diretor da clínica, a universidade tem destinado recursos para a manutenção do prédio. Mas a estrutura é muito antiga e não comporta grandes reformas. A faculdade também conta com recursos provenientes dos cursos de pós-graduação em Odontologia. Um dos laboratórios, por exemplo, ganhou aparelhos novos de ar-condicionado e televisores, comprados com recurso da pós-graduação, mas aguarda verba da universidade para aquisição de persianas para as janelas.
O coordenador do curso de Odontologia, Márcio Grama Hoeppner, diz que o corpo docente se esforça para compensar a falta de uma estrutura mais adequada e evitar o comprometimento da qualidade de ensino. "Em termos técnicos não afeta o aprendizado (a falta de estrutura adequada), mas existe um comprometimento do rendimento." Segundo ele, o espaço físico não acompanhou o crescimento do curso. "A estrutura física é para uma demanda X e hoje os atendimentos são muito maiores do que ela comporta. A casa ficou pequena", afirma o coordenador.
Com uma estrutura melhor, na opinião dele, a clínica teria condições de atender mais pacientes. A lista de espera para atendimento é de 5.655 pessoas. Para ser atendido na COU, o paciente precisa ser encaminhado pelas unidades básicas de saúde. O atendimento é gratuito, com exceção de tratamentos que tenham indicação de uso de prótese.

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