Situação piora e programa não sai do papel
Londrina - "Este tipo de situação está aumentando. Muitas das famílias que temos dificuldades para localizar para tocar os nossos processos nos contam que a mudança de endereço ocorreu porque foram expulsas de casa. Em bairros bons, onde a vizinhança era boa, os traficantes foram chegando e intimidando as pessoas, obrigando-as a emprestar a casa para esconder drogas. Com isso, muita gente preferiu se mudar. Não temos estatísticas, mas essa situação não é rara". As palavras são da promotora da Vara de Infância e Juventude de Londrina, Édina Maria de Paula.
A coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social/Sinal Verde, Adriana da Cruz Barrozo, também tem ouvido relatos de gente que foi expulsa do lar. "Tem acontecido de algum membro da família estar ameaçado e ter que abandonar a casa. Muitos desses jovens que perambulam e moram nas ruas da Área Central, na verdade, fazem dali um refúgio, pois por algum motivo tiveram que deixar o bairro onde moravam. Casos de famílias inteiras expulsas, no nosso serviço são mais pontuais, mas acontecem".
A promotora reitera que o medo impede as vítimas de reivindicarem o direito ao lar. "As pessoas vêm aqui e relatam a mim quem matou determinado adolescente, como matou. Mas, quando são chamadas, não depõem porque são ameaçadas de morte; e morrem se forem em frente".
Em outubro de 2005, o governo do Paraná anunciou que o Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte estava em fase de implantação. No entanto, de acordo com a promotora, até hoje o programa não saiu do papel. De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Criança e da Juventude, o programa ainda está em fase de implantação e não há data para começar a funcionar.(W.S.)





