Os doadores sumiram dos bancos de sangue de Curitiba. No último mês, houve uma queda vertiginosa no número de pessoas que se dispõe a doar. A queda é generalizada nos principais pontos de doação, como o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), o Hemobanco e o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). A causa principal da diminuição é a proibição de pessoas que tomaram a vacina contra rubéola de doar sangue por um mês.
O abastecimento do Hemepar, por exemplo, diminuiu drasticamente. Hoje, a instituição trabalha com a metade de sua capacidade, já que o número de doadores caiu 50%. "Isso nos coloca em uma situação crítica. Estão faltando todos os tipos de sangue, principalmente do tipo O positivo", explica Cristina Maria Richter, pedagoga do assessoria de suporte ao usuário do Hemepar.
Hoje, para o Hemepar voltar ao seu funcionamento normal, seriam necessárias 140 novas bolsas de sangue por dia, ou seja, o mesmo número de doadores. O Hemepar atende a 40 hospitais, apenas em Curitiba e região metropolitana. No Paraná, são 300 instituições.
O Hemobanco de Curitiba também registrou queda. Nos últimos dois meses, o número de doadores diminuiu entre 30 e 40%. Segundo a enfermeira Rosemara Ganassoli, responsável pelo atendimento ao doador, só não chegou a faltar sangue porque o Hemobanco realiza um trabalho de recrutamento, em que entra em contato com doadores cadastrados. Atualmente, o Hemobanco atende a 60 instituições.
"Muita gente chegou para doar, mas não pôde, porque havia tomado vacina contra a rubéola", conta a enfermeira. Depois de vacinada, a pessoa não pode doar sangue durante 30 dias, pois a vacina é fabricada com vírus atenuados. Eles permanecem no sangue de quem se vacinou. Caso seja doado, quem receber esse sangue pode ter problemas.
Além da vacinação contra a rubéola, iniciada no dia 9 de agosto, outro fator que afastou os doadores é o tempo frio. "As pessoas ficam mais retraídas no inverno e não costumam vir doar", diz Cristina, do Hemepar. "Com o frio, as pessoas ficam gripadas, tomam mais medicamentos. Isso as impede de serem doadoras", completa Rosemara, do Hemobanco.
Segundo Cristina, a crise do sangue não é restrita a bancos de Curitiba. "O problema é geral. As doações também diminuiram no restante do Estado e do País", diz ela. Para que pacientes que precisam de sangue não passem necessidade, ela faz um apelo. "Esperamos a conscientização das pessoas. Doar sangue é um exercício de cidadania, uma responsabilidade social e demonstração de amor ao próximo", lembra.

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