Situação inversa em Paulo Frontin
O clima frio e as araucárias que ainda resistem imponentes por toda a região dão a Paulo Frontin, no extremo sul do Estado, um ar especial. Na cidade, onde vive pouco mais de um terço dos 7,4 mil moradores (muitos deles descedentes de ucranianos e poloneses), a limpeza e a organização urbana chamam a atenção. Mas mesmo em meio à tranquilidade da paisagem tem uma coisa que tira os frontinenses do sério: quando é preciso usar o telefone celular. A cidade é a única entre todos os 399 municípios do Paraná que não conta com nenhuma operadora de telefonia celular que atenda à zona urbana.
Em seu segundo mandato, o prefeito Irineu Inácio Zacharias mostra que já enviou vários ofícios desde 2006 a duas operadoras diferentes e só ouviu como resposta que não havia planos de expansão. ''Até abaixo-assinado nós fizemos um ano atrás mas em pleno século 21 Paulo Frontin não consegue ter acesso ao celular'', indigna-se. E, segundo ele, no município acontece o contrário do restante do Estado, porque mais de 50% dos moradores da zona rural conseguem usar o telefone móvel. ''A sete quilômetros da cidade, na BR-476, uma operadora colocou uma torre que alcança quem mora nas localidades próximas mas não chega até a cidade'', lamenta.
Sócia do maior supermercado da cidade, Elisabeth Dallazen, 33, lamenta não poder usar o celular para localizar rapidamente quem precisa. ''Fazia curso em União da Vitória e os professores não conseguiam falar comigo se não tivesse no mercado ou em casa'', fala. E reforça que a facilidade também poderia gerar algum rendimento extra para seu comércio. ''Vendemos cartões telefônicos aqui mas só mesmo o pessoal do interior que compra'', observa. Em sua loja de móveis, César Cansan, vende uma média de 15 aparelhos celulares por mês, também para clientes da zona rural. ''Para gente da cidade vendo bem pouco. Eu mesmo só uso o celular quando viajo para outras cidades'', comenta.
Feliz mesmo é a sitiante Therezinha Bialuz Antunes, 70. Ela mora a cerca de um km de distância da torre, na Colônia Agudos, e sempre que dá saudade liga para os filhos que vivem em Curitiba. ''Quando tem crédito pega bem'', brinca a descendente de ucranianos casada há 44 anos com o brasileiro de sangue africano, Nilson Pereira Antunes, 73. (L.A.)





