SITUAÇÃO INSALUBRE -Escolas convivem com o improviso
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terça-feira, 05 de abril de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 
Cambé - A falta de estrutura em escolas públicas de Londrina e região tem obrigado alunos, professores e funcionários a conviverem com o improviso. Comprometidas pelos estragos causados pelas chuvas, a Escola Municipal Geni Ferreira, no Conjunto Panissa (zona oeste de Londrina), e as escolas estaduais Professora Helena Kolody, em Cambé, e Presidente Kennedy, em Rolândia, ambas na Região Metropolitana, foram total ou parcialmente interditadas e tiveram suas atividades bastante afetadas. No Colégio Olavo Bilac, em Cambé, parte do prédio foi isolado.
O caso mais grave é o da Escola Estadual Professora Helena Kolody, em Cambé. Depois da chuva de janeiro o prédio apresentou rachaduras no chão e nas paredes e foi interditado. Desde então, os 724 alunos foram transferidos para dois locais. Os alunos do ensino fundamental e parte do ensino médio estão instalados no prédio onde funciona o CEEBJA (educação para jovens e adultos) e as aulas do terceiro ano do ensino médio são ministradas próximas dali, no salão paroquial da igreja matriz. As aulas na rede estadual tiveram início em 29 de fevereiro.
No prédio do CEEBJA, as salas de aula ficaram um pouco apertadas para receber os alunos, mas é um espaço escolar. Em pior situação ficaram os alunos do ensino médio. "A igreja atende usuários de álcool e drogas. Eles usam os banheiros e, muitas vezes, fazem suas necessidades no chão. Alunos, professores e funcionários têm que dividir os banheiros com essas pessoas", relatou a pedagoga Annair Forestiene. "Para fazer a merenda, os alunos daqui (salão paroquial) têm que andar até o prédio do CEEBJA. Em dias de chuva eles se molham e sempre há o risco de atropelamentos."
Annair reconhece o esforço feito pela igreja católica para acolher os alunos do Helena Kolody, mas critica a demora do Estado para resolver a situação. Em razão do espaço reduzido, não há sala disponível para as atividades pedagógicas e desde o início do ano ela exerce suas funções em uma carteira posicionada no corredor. "A gente não deixou a peteca cair. Priorizamos a qualidade do ensino, mas não temos qualidade de trabalho."
"A situação dos professores é mais do que delicada, é precária. Estamos sem condições dignas de exercermos a nossa profissão. Não temos armário para guardarmos o nosso material. Hoje, eu carrego, em média, de 13 a 16 quilos de material por não ter onde deixar os livros", reclamou a professora Cristina Polimeni Góes. "As pessoas estão cansadas, desanimadas com a situação. A nossa autoestima está baixa. Estamos em uma situação insalubre", acrescentou a professora Sonia Terezinha Sgobero Abudi.
O diretor da escola, Paulo Enrique Dante, explicou que o início das obras depende de uma análise estrutural do prédio danificado pela chuva, mas a Secretaria da Educação do Estado (Seed) não tem um profissional para fazer essa análise. Um engenheiro de Cambé se dispôs a fazer o projeto sem nenhum custo, mas o trabalho ainda não começou. "Solicitei junto aos setores do Núcleo (Regional de Educação) que já adiantassem a planilha (de custos). Esperamos que a gente possa voltar para a escola no ano que vem." No antigo prédio, estão funcionando apenas a secretaria e o depósito onde são armazenados os itens da merenda escolar.
SEGURANÇA
No Colégio Estadual Olavo Bilac, também em Cambé, os estragos causados pela chuva foram menores, mas ainda assim alteraram a rotina escolar. No centro do prédio histórico, construído em 1949, há uma pequena torre cuja estrutura foi comprometida. A secretaria e a sala de direção, que funcionavam no primeiro andar, tiveram de ser isoladas por causa de rachaduras. "Os engenheiros do núcleo garantiram que não vai cair, mas orientaram a esvaziar as salas para aliviar o peso e reduzir a movimentação de pessoas no primeiro andar. É uma medida de segurança", disse o diretor Luís Henrique Bologna.
Além da secretaria e da sala de direção, que agora ocupam espaços antes destinados a salas de aula, outras duas salas foram interditadas por ficarem em uma área do prédio onde apareceram algumas rachaduras. "No momento a gente está acomodado de uma maneira que dá para a escola continuar andando, mas estamos acompanhando as rachaduras com frequência e ficamos apreensivos."
Segundo o diretor, em 2012 uma sala de aula já havia sido interditada devido a rachaduras que apareceram após uma forte chuva. Uma reforma foi feita, mas em janeiro passado o problema voltou mais grave. "Sempre que chove a gente torce para ser uma chuva de um dia só. A gente tem medo de dar outra chuva igual a de janeiro e desabar", afirmou Bologna.


