Situação fica tensa em distrito policial
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de julho de 2001
Célia Guerra De Londrina 
A suspensão da visita ontem, no 3º Distrito Policial de Londrina, no Jardim Bandeirantes, zona oeste, aumentou o clima de tensão na cadeia. Revoltados, os presos chutaram as grades da celas, enquanto do lado de fora, os policiais dispararam balas de festim para conter o alvoroço dos detentos. O delegado Marcelo Sakuma disse que não havia condições de segurança para permitir o acesso dos familiares dos presos.
A insegurança no presídio, segundo o delegado teve início na segunda-feira, durante uma revista, quando os policiais civis encontraram outra cela com as grades cerradas, o que supostamente provocaria uma nova fuga de presos. No domingo, sete deles fugiram utilizando um túnel cavado no interior de uma das celas.
Para o delegado, a superlotação da cadeia piora o quadro. O distrito abriga atualmente 90 presos, mas tem capacidade para 40 detentos. O delegado garantiu que seria necessário transferir alguns para que a ordem fosse devolvida.
Os presos, de acordo com o delegado, estão também ameaçando os correrias (presos de confiança que realizam serviços internos). Dois deles foram atingidos por água quente, mas não se feriram. Dos serviços internos nas celas, está sendo feita apenas a distribuição de comida pelos investigadores da delegacia. O correria Carlos Eduardo Machado, 31 anos, preso há quase três anos por assalto, disse que não estão conseguindo atender aos pedidos dos detentos quanto a cigarros e outros alimentos, e isso os deixaria revoltados.
A Comissão Carcerária do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina foi chamada para conversar com os detentos, mas devido ao clima de insegurança, o representante, Gelson Gil, preferiu ficar do lado de fora das celas. Gil disse que hoje ou amanhã o CDH retornaria ao presídio para uma nova conversa com os presos. Ontem ele pediu que os detentos apresentassem sugestões para a melhoria da coletividade do presídio.
Os parentes dos presos que aguardavam pela visita, reclamaram das condições da prisão. Adriana Nascimento Santos, irmã de um detento, disse que no domingo, quando esteve no distrito para levar almoço para o irmão ouviu gritos dos presos que estariam sendo espancados pela polícia. Andrea Sales, irmã de outro detento, contou que os policiais do pelotão de choque constantemente submetem os presos a situações de humilhação. O delegado Sakuma, nega as denúncias e diz que o pelotão de choque só é chamado quando acontecem vistorias.


