Situação está mais tensa em Londrina
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de maio de 2001
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
O fracasso nas negociações entre o governo e o grupo de esposas que está bloqueando a entrada do 5º Batalhão da Polícia Militar, em Londrina, provocou nova onda de tensão entre os policiais. Desde ontem eles passaram a ter uma participação mais efetiva no movimento.
Por volta das 15 horas, militares abandonaram uma reunião informal com um representante dos oficiais, recusando a proposta de convencer as esposas a encerrarem a manifestação. O movimento só acaba com um pronunciamento público por parte do governador, comprometendo-se a cumprir o plano de recuperação dos nossos salários, explicou um sargento que não quis se identificar.
A recuperação salarial através do fim da gratificação especial e da implantação de um novo Código de Vencimentos e Vantagens (CVV) foi considerada razoável pelos praças, mas inexequível. Pela proposta, uma comissão formada pelos PMs, esposas e juristas analisaria o código em um prazo de 60 dias. Em troca, o desbloqueio dos batalhões seria feito imediatamente.
A Folha apurou que a implantação do CVV significaria a elevação do piso da categoria para R$ 1,5 mil (atualmente é de R$ 635,00) e possivelmente a redução da remuneração dos policiais de alta patente. Acreditar nisso é acreditar em Papai Noel, disse Elair Beleti, vice-presidente da associação das esposas. A fórmula preferida dos praças e das esposas é a reposição lenta e gradual da gratificação, com acréscimos mensais de 2%, até que a situação financeira do Estado melhore e permite o pagamento integral do benefício.
No final da tarde de ontem, as mulheres conquistaram o apoio dos motoristas que trafegavam em frente ao batalhão, na marginal da Rodovia Celso Garcia Cid. A grande maioria concordou em aderir ao abaixo-assinado pedindo o impeachment do governador Jaime Lerner, considerado o vilão da categoria. O trânsito chegou a ser interrompido na pista principal da rodovia bloqueada por poucos minutos e foi logo liberado para evitar congestionamento. As assinaturas serão enviadas à Assembléia Legislativa.
Também houve uma salva de rojões para comemorar a chegada de uma coroa de flores, que será usada no enterro simbólico do governador. As mulheres prometiam velar o corpo (na verdade, um boneco) durante a madrugada e sepultá-lo com em um ato público no Calçadão, ponto mais movimentado da área central de Londrina.
Embora cada vez mais firmes em sua posição, o grupo das esposas atendeu a um pedido do quadro do Copom (que atende o 190, número de emergência da PM). Na manhã de ontem, houve um revezamento de cinco funcionários (normalmente são nove), que liberaram o grupo que permanecia desde segunda-feira retido no quartel. Outros policiais em serviços essenciais também puderam realizar a troca de turno.
O capitão Sérgio Dalbem, comandante do Pelotão de Trânsito, lembrou que o número reduzido de policiais prejudica o atendimento. A grande preocupação é o final de semana, quando o número de ocorrências aumenta 30%.


