Situação é preocupante, diz delegado
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segunda-feira, 02 de junho de 1997
Antônio França, de Foz do Iguaçu 
O delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Arthur Correia Braga, disse ontem que vai estabelecer qual será o comportamento a ser seguido pelos policiais e pedirá providências em relação às crianças que atuam como traficantes de drogas nas favelas de Foz do Iguaçu.
Na edição de domingo, a Folha publicou reportagem revelando que crianças e adolescentes com idade entre sete e 12 anos, armadas com revólveres e pistolas, vendem drogas nas entradas das principais favelas da cidade.
Braga afirmou que o tráfico de drogas na fronteira preocupa a Polícia Civil e que vai pedir providências à 6ª Subdivisão Policial (SDP), em Foz do Iguaçu.
Estratégia Segundo ele, a estratégia de atuação para coibir o tráfico será entregue ao delegado titular da 6ª SDP, Aprígio Cardoso, numa reunião que será feita com todos os delegados do interior, ainda nesta semana.
O comandante de Policiamento Militar do Interior, coronel Waldemar Kretschmer, também mostrou preocupação com o tráfico de drogas envolvendo crianças e adolescentes na fronteira. Porém, disse que ia conhecer detalhes do assunto para se pronunciar.
A reportagem da Folha mostrou meninos que atuam como avião, função de quem intermedia a venda da droga entre traficante e usuário, ou rojão, que avisa traficantes da presença policial nas entradas das favelas.
Os magnatas param na boca da favela e a gente desce o morro para pegar a cocaína, disse J.B.S., de dez anos, responsável por um ponto de tráfico.
Sem problemas As armas usadas pelos garotos, segundo eles, são emprestadas por traficantes que as compram em de Ciudad del Este, cidade paraguaia na fronteira com Foz do Iguaçu. A droga também chega de barco. A distância entre as duas margens do Rio Paraná, entre Foz e Ciudad del Este, é de cerca de 500 metros. O percurso pode ser feito de barco sem grandes problemas.
O delegado da 6ª SDP e o comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar de Foz do Iguaçu, coronel Joaquim Silva, não foram localizados ontem para comentar o assunto.
Segundo a superintendência da Subdivisão Policial, Cardoso viajou a Curitiba, onde teria um encontro com o delegado-geral.


