Mário CésarSem alternativaJosé Abel, durante sessão de hemodiálise: ‘‘Quando falta o remédio fico sem. Não tenho condições de comprar’’A falta de medicamentos de uso contínuo está provocando ainda mais transtornos e dificuldades para os renais crônicos. É o caso do pintor autônomo José Abel, de 48 anos. Abel é casado, tem três filhos e mora no Jardim Tupi, em Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina). O pintor se submete a três sessões semanais de hemodiálise, com quatro horas cada uma. ‘‘Estou sem o medicamento e vou continuar, porque não posso comprar’’, disse à Folha, durante uma sessão.
José Abel está em tratamento desde 86. Ele conta que durante todo esses anos muitas vezes foi à farmácia da 17ª Regional de Saúde e não conseguiu nem aspirina. ‘‘Quando falta o remédio fico sem. Não tenho condições de comprar’’, diz o pintor, admitindo que nunca foi a uma farmácia comercial sequer para perguntar o preço. ‘‘Mas escuto falar de 400 reais a caixa.’’
Em 94, Abel teve a oportunidade de se submeter ao transplante. Mas preferiu ceder a vez para outro porque tinha filho pequeno e temia pelo pior. ‘‘Confesso que ainda tenho medo, mas surgindo outra chance acho que foi topar a parada.’’
A necessidade de três sessões de hemodiálise por semana atrapalha a vida de Abel. O pintor é obrigado a deixar o trabalho para ir à clínica. ‘‘O tempo que preciso para fazer hemodiálise é perdido. Como autônomo ganho pelo trabalho feito’’, destaca, acrescentando que se a sobrevivência já não seria fácil trabalhando todos os dias normalmente, sua necessidade de saúde dificulta ainda mais.
‘‘Minha situação é muito difícil. Quando falta o remédio, então, é um desespero’’, desabafa o pintor, destacando que para sua sorte os médicos sempre ajudam. (A.N.)

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