Situação dos pombos é 'desesperadora'
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sexta-feira, 28 de julho de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A menos que haja campanha contrária ou falta de vontade política, Londrina deve se tornar o segundo município do País a abater pombos para controle de população. Segundo o biólogo da coordenação de fauna do Ibama em Brasília, André Deberdt, a instrução normativa que autoriza a medida acabou de passar pela procuradoria geral do órgão e pode ser publicada já na próxima semana.
Apenas um caso de abate de pombos foi registrado até hoje no Brasil, recordou Deberdt. Foi no início da década de 90, em Assis (SP), a 130 quilômetros de Londrina. A experiência durou cerca de um ano e foi justificada pelo enorme prejuízo que as aves vinham causando nas lavouras de cana-de-açúcar. ''O abate de animais é sempre o último recurso. O Ibama só autoriza quando a situação está desesperadora, como é o caso de Londrina'', garantiu.
Há pouco mais de dois meses, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) divulgou que foram contados 170 mil pombos no Centro da cidade. Além de não considerar a proliferação de aves na periferia, o estudo já pode estar defasado porque a reprodução do animal é muito rápida. De acordo com o Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo, uma colônia de pombos não controlada pode duplicar a cada ano.
Embora o aval do Ibama para abate já esteja garantido, a Sema não quer confirmar a execução da medida antes da realização de uma audiência pública. De acordo com a veterinária e assessora de gabinete da secretaria, Anne Christina Hiltel, a audiência está pré-marcada para o dia 18 de agosto e tem como objetivo ouvir a opinião de ONGs ambientais e da população em geral.
O professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Ivens Gomes Guimarães, que também é coordenador técnico do Centro de Investigação em Medicina Aviária do Paraná, já finalizou um ante-projeto com recomendações técnicas para o controle populacional dos pombos. Ele não quis adiantar detalhes antes da apresentação do documento à promotoria de Meio Ambiente, agendada para a semana que vem, mas afirmou que o sacrifício de parte das aves poderá ser paralelo ao estudo de amostras em laboratório.
''O abate de um certo número de aves será necessário para reduzir a população. Com o estudo, vamos avaliar se deve se recomendar o consumo delas ou não'', colocou Guimarães. A assessora da Sema afirmou que ''provavelmente será muito difícil'' destinar os pombos sacrificados para alimentação. ''Mesmo que essas aves não tenham doença nenhuma, como é que o Poder Público vai responder caso coincida de alguém se alimentar delas e ter algum problema? Teria que se examinar uma por uma, colocar em quarentena, seria um custo muito grande'', alegou.
A quantidade de pombos e a forma como serão abatidos ainda não foram definidos. Segundo o biólogo do Ibama, o órgão não costuma recomendar o uso de armas de fogo. Ele afirmou que um meio mais viável seria capturar as aves quando estão nas lavouras, trabalho que poderia caber a proprietários rurais cadastrados e que enfrentam problemas com esses pássaros. Deberdt lembrou ainda que no Rio Grande do Sul o Ibama autorizou a ''caça de controle'' da caturrita - ave semelhante a um papagaio - que também vinha provocando prejuízos na área rural.


