Marcos BorgesIndignaçãoCláudio e a filha Josiane: ‘Com os meus filhos não aceito que façam isso. Vou procurar meus direitos’

Sem saber a quem apelar, o soldado da Polícia Militar, Claudio Machado da Costa, esteve ontem na redação da Folha, acompanhado da filha, Josiane, 11 anos, para registrar a sua revolta contra o Instituto de Previdência do Estado (IPE). Ele contou que, no último dia 29 de dezembro, Josiane teve uma crise convulsiva e foi levada para o plantão do Hospital Evangélico.
Lá, após ser atendida, foi encaminhada para o IPE, pois necessitava de um eletroencefalograma e exames dessa natureza, conforme ordem de serviço 10/96, vinda da superintendência, em Curitiba, só podem ser solicitados ‘‘por médicos da especialidade e que façam parte do corpo clínico do IPE’’.
No Instituto, o médico a examinou e solicitou o eletro, que deveria ser feito numa clínica da avenida Bandeirantes, área central. Entretanto, ao passar no setor correspondente para pegar a guia de atendimento, Claudio foi pego de surpresa: teria que pagar pelo exame já que o IPE, lhe informaram, não tem clínica credenciada para fazer eletroencefalograma.
Inconformado, Claudio foi falar com uma pessoa identificada por ele apenas por Altair, na Divisão Hospitalar. Este não só confirmou que nenhum laboratório ou clínica da cidade está atendendo os previdenciários do IPE, pois estão há 6 meses sem receber do Estado.
‘‘Eu disse para ele que não estava entendendo nada, já que o médico é do corpo clínico, mas o exame é pago’’, estranha o PM. ‘‘Eles me disseram que se eu pagar serei reembolsado dentro de 30 a 60 dias.’’ Mas Cláudio não concorda com a proposta: ‘‘É um absurdo! Eu já pago R$ 75 para o IPE/previdência, mais 2% do meu salário para o IPE/pensão e também pago para o hospital da PM’’.
Soldado há 14 anos, Cláudio diz que, se fosse ele ou a mulher que estivessem precisando de atendimento, até nem ia se importar com o descaso. ‘‘Mas com meus filhos não aceito que façam esse tipo de coisa, vou procurar todos os meus direitos e também vou denunciar como estou fazendo agora, pois não tenho condições de pagar os R$ 35 ou R$ 40 do exame’’.
Lembrando que até os R$ 15 que pagou pelos remédios da filha estão pendurados na farmácia - ‘‘Se quiser pode ir lá perguntar’’ - Cláudio diz que não sabe o que fazer para que o exame da filha seja feito. Ele está até pensando - ‘‘Se não aparecer um vereador ou um político de bom coração pra me ajudar’’- em pedir emprestado o dinheiro para que Josiane faça o eletro. Mas, enquanto isso, o soldado quer saber o que é feito com os descontos na folha de pagamento e se o IPE é um cabide de emprego.
No IPE, Cristina Custódio, da Divisão Hospitalar, confirma que o IPE não tem clínicas credenciadas para esse exame. Por um motivo simples: as clínicas não têm interesse em se credenciar. Segundo ela, o problema é do Estado que não faz o repasse para o IPE pagar as clínicas. E revelou que, em outros governos, há uns seis ou oito anos, já houve credenciamento para fazer eletroencefalograma.
A reportagem da Folha ligou para duas clínicas da avenida Bandeirantes, e a informação é de que elas não são credenciadas porque não querem. Isso porque, além de o IPE pagar ‘‘muito pouco’’, ainda demora para fazer o acerto. A Folha informou, em reportagem publicada ontem, que a Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar) encaminhou um documento ao governador Jaime Lerner, alertando sobre o corte no atendimento, se não forem pagos os atrasados.

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