Situação de córregos é caso de saúde pública
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de agosto de 2001
Célia Guerra<BR>De Londrina 
A poluição nos córregos da região sul de Londrina é vista pelas lideranças comunitárias como um ''caso de saúde pública''. Só esse ano no Posto de Saúde do Jardim Itapoã foram registrados 37 casos comprovados de dengue. No ano passado houve um surto de hepatite A com 36 pessoas atingidas.
Os pontos principais de contaminação, na opinião da vice-presidente do Conselho Local de Saúde, Rosalina Batista, estão numa região alagada atrás do posto de Saúde e o Córrego Cristal, que divide os jardins Cristal e Novo Perobal.
A líder comunitária Isabel Cristina de Sousa, que é suplente no Conselho Municipal de Meio ambiente e integra também o Conselho Local de Saúde, disse que o Jardim Cristal não é atendido ainda pela rede de esgoto. Para ela, as fossas contruídas nas casas contribuem na contaminação dos lençóis d'água, além de esgotos clandestinos que desembocam no córrego. Aliado a isso, as duas líderes citam o acúmulo de lixo em fundos de quintais e nas regiões de fundos de vale. Para Rosalina e Isabel Cristina, moradores de outros bairros são os principais responsáveis pelo despejo de entulhos nos vales.
A região alagada é frequentada por crianças e moradores do bairro para banhos e pescarias. Segundo Rosalina, uma pesquisa realizada há cerca de cinco meses pela Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), identificou a contaminação por coliformes fecais e ainda a presença de caramujos hospedeiros da esquistossomose (barriga d'água).
Os caramujos, destaca Rosalina, ainda não estão contaminados, mas a presença dos moluscos põe as lideranças em alerta. A comunidade luta pela transformação do local em uma área de lazer. Eles já enviaram pedidos à Secretaria de Obras e ao presidente da AMA, Luiz Eduardo Cheida, mas por enquanto, contam apenas com promessas.
A água do Córrego Cristal, segundo Isabel Cristina, é utilizada não só para banhos, mas para a irrigação de hortas particulares. Rosalina completa dizendo que quando ocorre falta d'água na região, os moradores têm no córrego uma fonte de abastecimento, até mesmo para o consumo. As líderes reconhecem a necessidade da educação da população e comentam que projetos estão sendo elaborados junto ao Conselho de Saúde da Região Sul (Consul) para esse fim.


