Situação aperta quando dívida resulta em despejo
Kraw PenasRoseli Bressan diz que o servidor precisa saber gerenciar o seu dinheiro: A situação é simples, quem ganha pouco deve gastar poucoQuem está endividado costuma usar o mesmo caminho para quitar suas contas. Primeiro recorre ao cheque especial e ao cartão, segue para o empréstimo de amigos ou parentes, depois penhora jóias na Caixa Econômica Federal e por último recorre ao financiamento de financeiras ou de agiotas. O problema é que quem entra nestes financiamentos não consegue sair tão fácil, afirma a tesoureira-geral da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná, Denise Maria Maia.
Um professor da UFPR, que não quis que seu nome fosse divulgado, conta que seguiu este caminho de endividamento. Abalado com a doença de um membro da família, que precisou ser internado para uma cirurgia, conta que foi acumulando dívidas com o hospital, já que a família não possuía plano de saúde. Com isso, fui emitindo cheques que não podia pagar. Meu crédito foi cortado e meu nome ficou sujo, diz. Depois, ele pediu dinheiro a amigos, que perdeu por não conseguir pagar as dívidas. Peguei dinheiro de uma financeira para tentar limpar meu nome, que já estava no Serviço Central de Proteção ao Crédito e no Banco Central, conta. Agora, ele admite não conseguir quitar esta dívida. Me sinto deprimido e incompetente por não poder pagar o que devo, diz.
Situação delicada - O presidente do Sindiservidores, Vladimir França, entende que a situação é mais complicada para quem ganha menos e não dispõe de cheque especial. Os pagamentos que precisam ser feitos são para as necessidades básicas da família, como água, luz, aluguel e alimentação. Quando não cumpridos, a coisa aperta, diz. França conta que no setor jurídico do sindicato existem dez ações de despejo de funcionários que deixaram de pagar aluguel por cinco meses. Conseguimos reverter a situação, mas nem todas as imobiliárias admitem a negociação, informa.
Mas nem todos os casos terminam bem. Tem um funcionário, que trabalha na Secretaria de Estado da Fazenda que, por causa da queda de seu poder aquisitivo, abandonou sua casa para morar na favela da Vila das Torres, afirma.
Planejamento - Mas a funcionária municipal Roseli Carta Bressan, da Secretaria Municipal da Comunicação Social, entende que parte dos endividamentos dos servidores pode ser atribuída à falta de planejamento. Eu também tive de recorrer à Caixa, no iníco do Plano Real, mas hoje gasto o necessário e ainda economizo para as compras que quero, conta.
Roseli diz que o servidor precisa saber gerenciar o seu dinheiro. A situação é simples, quem ganha pouco deve gastar pouco, destaca. Ela aconselha que o gerenciamento deve ser feito nas mínimas compras, como o supermercado, por exemplo. (I.R.)





